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Cassol quis posar de vítima


Cassol quis posar de vítima - Gente de Opinião
Mara Paraguassu

De estilo “faço, prendo e arrebento”, Ivo Cassol é sem medo de errar o político que mais coleciona em Rondônia processos na Justiça. Depois da goleada de 10 a 0 no STF, quando foi condenado à prisão em regime semi aberto, ele anunciou recurso e depois disse que teria reunido a família e decidido se afastar da política.

Não se sabe se de fato o conselho familiar teve assento – vi em um site foto da família reunida, mas indicava coisa antiga. Interessa a mensagem dada, bem a seu gosto: quis se passar por vítima. Recurso sempre empregado toda vez que se via acuado pelo procurador Reginaldo Trindade e Justiça Eleitoral. Coitado, é um Injustiçado, inocente e incompreendido.

Claro que a verdade é bem outra, e o sonho de retornar aos braços do povo, em 2014, foi para as calendas. Envolvido num turbilhão de ações, mais ou menos graves, em diversas instâncias judiciais, a era Cassol, e tudo o que representa, entra em declínio. Assim espero.

No inicio do ano a Justiça Federal em Rondônia o condenou por improbidade administrativa, determinando a suspensão de seus direitos políticos por cinco anos, e multa de R$ 300 mil. O crime: ter utilizado ilegalmente a estrutura da Secretaria da Segurança Pública para coagir e ameaçar testemunhas do inquérito de compra de votos nas eleições de 2006, envolvendo ele e o ex-senador Expedido Junior.

Coagir e ameaçar configuram comportamento recorrente na ficha suja de Ivo Narciso Cassol, que teve reinado absoluto nos dois mandatos de governador, sem qualquer oposição política, utilizando a máquina pública para a prática de ilegalidades e irregularidades destinadas a favorecer interesses privados. O patrimonialismo era regra, como na República de Rolim de Moura.

Uma narrativa contundente da característica de mando pela coerção partiu do empresário paulista Ricardo Stoppe Junior, que em 2006, na CPI da Biopirataria da Câmara dos Deputados, detalhou como o então governador quis grilar sua propriedade no Amazonas e teria utilizado a estrutura da Polícia Civil para amedrontar  e ameaçar seus empregados. Cassol tencionava construir PCH (Pequena Central Hidrelétrica) na região.

O empresário deixou São Paulo após ele e a mulher serem vítimas de um sequestro, decidindo investir num hotel ecoturístico. “Sai da mão de um bandido em São Paulo e caí na mão de um bandido político, que é o governador de Rondônia, Ivo Cassol”, declarou ele à CPI.

Nem preciso mais é necessário dizer.
 

Apocalipse

E o deputado estadual Lebrão, corregedor da Assembléia Legislativa, disse que nada  pode fazer para encaminhar alguma providência contra os deputados envolvidos na Apocalipse porque o inquérito não foi concluído. “Seria uma irresponsabilidade e perda de tempo começar um procedimento processual dentro do parlamento com dados que podem mudar”, disse. Entendi. O contrato de partilha de recursos do mandato da Ana da 8 com traficante é fruto de invenção da imprensa e da polícia, não servindo para motivar a abertura de processo algum. Claro, até a conclusão do inquérito pode-se constatar sua falsidade.

Leitura

A edição de O Globo, do dia 9, traz pesquisa do IBGE para confirmar porque políticos como Cassol tem tantos eleitores, o fundamentalismo religioso avança, a violência é incentivada e a degeneração moral na política e em muitos outros setores afundam o Brasil: falta leitura. Ela ocupa, dos brasileiros, apenas 6 minutos do dia. Capturados pela edificante produção televisiva, em frente à telinha ficam 2h35 diariamente.

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