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Validação de domínios: por que checagens superficiais já não bastam


Denis Furtado - Gente de Opinião
Denis Furtado

Em um mundo onde a identidade digital se tornou o principal ponto de contato entre empresas e seus públicos, validar domínios de forma eficaz é uma questão de segurança — e de reputação. No entanto, muitas organizações ainda confiam apenas em métodos básicos como expressões regulares (regex) para verificar seus domínios, o que já não é suficiente frente à complexidade do cenário de ameaças atual.

Segundo o IBM Cost of a Data Breach Report 2024, o custo médio de uma violação causada por phishing chegou a US$ 4,88 milhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior. E, de acordo com a APWG (Anti-Phishing Working Group), mais de 190 milhões de ataques de phishing foram registrados apenas em 2024. Grande parte desses ataques utilizam domínios maliciosos, muitas vezes similares ou reciclados de marcas legítimas, para enganar usuários e invadir sistemas corporativos.

Esse risco se intensifica com a reutilização de domínios antigos. Empresas que deixam expirar domínios que já usaram no passado, muitas vezes sem desvinculá-los totalmente de sistemas ou cadastros de terceiros, abrem espaço para que cibercriminosos assumam esses endereços e explorem a confiança residual de parceiros, clientes ou fornecedores. Um estudo publicado na ACM Digital Library mostra que domínios expirados podem continuar recebendo e-mails sensíveis meses após serem abandonados, servindo como vetores silenciosos de ataques.

Mas os impactos não são apenas relacionados à segurança. Validações mal executadas afetam também a performance e a eficiência operacional. Chamadas de API desnecessárias, sobrecarga de sistemas de segurança e tempo gasto investigando falsos positivos aumentam custos e desgastam equipes. Além disso, a utilização ineficiente de licenças de ferramentas de cibersegurança pode reduzir a efetividade de proteção em áreas realmente críticas.

Frente a esse cenário, especialistas defendem uma abordagem em camadas para validação de domínios. Isso inclui:

● Validações sintáticas aprimoradas, que checam extensões reais de domínios (TLDs válidos) e bloqueiam padrões maliciosos, como caracteres inválidos ou pontos duplicados;

● Verificações de infraestrutura, como análise de DNS, disponibilidade HTTP/HTTPS e registros WHOIS;

● Autenticação de e-mail, com validações de registros SPF, DKIM e políticas DMARC para garantir a legitimidade dos remetentes e reduzir o risco de spoofing.

Organizações que adotam essa abordagem fortalecem sua postura de segurança, reduzem custos com falsos alertas e protegem melhor sua reputação. A transformação digital exige não apenas inovação, mas também maturidade em processos críticos — e a validação de domínios precisa acompanhar essa evolução.

Porque, no fim das contas, seu domínio é a porta de entrada da sua marca na internet. E manter essa porta segura é responsabilidade de todos.

*Denis Furtado é engenheiro de sistemas e diretor da Smart Solutions, distribuidora brasileira de solução antifraude e de cibersegurança.

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