Quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 - 15h09
Os professores da rede estadual estão enfrentando a pior situação econômica já vivida pela classe desde os idos do Coronel Jorge Teixeira. Este competente administrador deixou o poder e muitas saudades daqueles tempos áureos. O trabalho do mestre era motivo de alegria no final do mês, quando se recebia aquela satisfatória remuneração.
A partir do adeus à Teixeirão, começou a decadência da educação. Jerônimo Santana iniciou a predação dos salários, além de atrasá-los meses a fio. Nunca mais se elegeu nem para inspetor de quarteirão. Oswaldo Piana administrou em tempos de inflação alta que corroia salários e não eram corrigidos satisfatoriamente. Hoje, vive no ostracismo político. Não consegue sequer, uma cadeira de vereador. Valdir Raupp melhorou a remuneração do professor, entretanto deixou uma conta salgada para o seu sucessor, de algumas folhas atrasadas do funcionalismo. Ainda sobrevive politicamente, pois os seus antecessores foram piores, exceto Teixeirão, e até porque seu sucessor - José Bianco - não disse a que veio. Demitiu funcionários em massa e só melhorou o salário da classe no último ano de seu governo, pois pensava em ganhar mais um mandato. Foi punido pelo povo. Decerto, encerrará sua carreira política como prefeito de Ji-Paraná.
Ivo Cassol só era novidade para quem nunca conversou com docentes de Rolim de Moura. Ele os esmagou financeiramente. No seu governo, até hoje, jamais houve por parte do funcionalismo público - excluindo-se os privilegiados que ocupam seus inúmeros cargos de confiança - ganho real nos salários. O último reajuste em 2008 sequer acompanhou a inflação de 2007. Foi anunciado pomposamente como aumento quando na verdade nos repassaram uma esmola cínica que a classe deveria ter recusado.
Resta saber se vamos persistir nesse imobilismo, nessa eterna desunião, deduzindo que apenas o Sintero poderá fazer alguma coisa quando, a bem da verdade, o sindicato somos nós. Como vamos formar cidadãos autônomos e corajosos, se ao soar ameaças das trombetas do Governador, rendemo-nos da forma mais omissa possível? De que temos receio se ele não é o dono dos recursos da educação de Rondônia? Que exemplo de formação crítica estaremos repassando aos nossos alunos se nos falta coragem de lutar pra viver com mais dignidade?
Ivo Cassol, politicamente, não sobreviverá, são os meus votos. Mas é conhecedor que a classe docente o detesta como político, daí talvez, sua renitência em tratar educadores da maneira mais vil, entretanto o faz porque conhece a coragem dos adversários, sabe que o exército de formados portando diplomas empunhados com sacrifício não se sustenta integralmente no campo de batalha porque não se mira nos exemplos dos seus antigos colegas que lutavam, apanhavam e até eram assassinados nos porões da ditadura, isso não por dinheiro, mas simplesmente pelo sagrado direito da liberdade de expressão, de organizar uma sociedade de forma democrática e menos injusta.
Os professores estão endividados. O salário não paga mais as contas do final do mês. Mas a maior dívida da classe docente é consigo mesma pelo fato de não decidir ir unida ao campo de batalha para viver ou morrer, deixando o exemplo aos seus alunos, de como se ganha uma guerra contra a opressão.
Fonte: *Prof. Diogo Tobias Filho
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná*(e-mail: [email protected])
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