Porto Velho (RO) terça-feira, 9 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Artigo: A aposentadoria compulsória no Poder Judiciário do Brasil



*Walter Waltenberg Silva Junior
 
É da natureza política dos parlamentos reagirem com rapidez à indignação da opinião pública, e rapidamente se coloca na ordem do dia do Congresso Nacional a emenda constitucional que põe fim à aposentadoria compulsória punitiva, ante a recente aposentação de magistrados do Mato Grosso por determinação administrativa do Conselho Nacional de Justiça, ao reconhecer infração gravíssima aos deveres do cargo.

Se por um lado os fatos apurados merecem mesmo o mais veemente repúdio, por outro, não se pode perder a serenidade de buscar, com a dedicação necessária, as razões pelas quais órgão administrativo de formação política não pode, à luz do ordenamento jurídico em vigor, impor sanção maior do que a aposentadoria com proventos proporcionais ao tempo de serviço.

É sempre bom relembrar que no Poder Judiciário repousa, em última instância, a esperança do cidadão de reverter injustiças de toda ordem perpetradas pelos demais Poderes, e ainda por este mesmo Poder Judiciário, razão suficiente para que se pretenda e se busque, a todo custo, um corpo de magistrados com independência absolutamente garantida. De fato, um magistrado amedrontado por penas administrativas que poderão a ele eventualmente serem impostas não possui a independência suficiente para afastar as ameaças de toda ordem que possam atingir os direitos individuais e garantias do cidadão. Simples, assim.

Não estou defendendo aqui, e eu escrevo para que todos me entendam, a falta de punição para magistrados que não compreendem o relevantíssimo papel que lhes cabe na defesa intransigente da liberdade de seus jurisdicionados. Importa, aqui, é informar que, encerrado o processo administrativo disciplinar que excluiu os maus magistrados da carreira da magistratura, começa agora um outro processo, este de natureza jurisdicional, que vai apurar a responsabilidade criminal de cada um, e que poderá resultar na fixação de penas de prisão, perda da aposentadoria e suspensão de direitos políticos. O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto é prova viva dessa possibilidade.

São muitos os funcionários públicos que desempenham a contento seu papel sem as garantias de independência próprias da magistratura. Não sentem falta da garantia, posto que lhes compete, numa estrutura hierarquizada de poder, o dever de obediência próprio de seu mister. A independência da magistratura tem natureza diversa, e se justifica em socorro da necessidade de garantir o cidadão em face do Estado. Isso não pode ser perdido. Isso é inegociável, e eu não acredito que, em razão da emoção de um momento, a sociedade entregue a independência tão necessária à garantia de seus mais caros direitos, porque esqueceram-se todos que o magistrado responde por seus atos não só no plano administrativo, mas também no plano jurisdicional. Somente o processo criminal pode conduzir à perda do cargo de magistrado, somente decisão de tribunal judicial competente pode "demitir o juiz".

É bom que se mantenha a legislação nestes termos, porque o dispositivo atende, com exclusividade, aos interesses do cidadão, por mais difícil que seja a compreensão dessa idéia.

* O autor é Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia e Professor de Direito Constitucional.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Agora a pressão é sobre o senado pelo fim da escala 6x1

Agora a pressão é sobre o senado pelo fim da escala 6x1

Apoiado por mais de 70% dos brasileiros, segundo pesquisas realizadas por vários institutos de opinião, o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho,

Daniel Vorcaro, a delação que pode explodir Brasília

Daniel Vorcaro, a delação que pode explodir Brasília

Preso desde novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou as últimas semanas construindo

CMPV na berlinda

CMPV na berlinda

Terça-feira (02.06), por volta das 19h, recebi de uma colega aposentada da câmara municipal de Porto Velho, via WhatsApp, um vídeo com pessoas corre

Como salvar a tradição do fogo de artifício sem enlouquecer cães, pessoas sensíveis e bombeiros

Como salvar a tradição do fogo de artifício sem enlouquecer cães, pessoas sensíveis e bombeiros

O céu não precisa de gritar para ser bonitoVamos combinar uma coisa: fogos de artifício são bonitos e sempre foram. Desde que um chinês qualquer,

Gente de Opinião Terça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)