Quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023 - 11h00

Foi no governo do
presidente Fernando Collor de Melo (1990 – 1992) que o Brasil deu seus
primeiros passos rumo à privatização, seguido por Itamar Franco (1992 – 1995),
depois que Collor foi apeado da presidência da República, por motivos
sobejamente conhecidos da opinião pública. Naquela época, o mundo
automobilístico veio abaixo quando ele chamou os carros brasileiros de
“carroças”. Abria-se, assim, o mercado para a entrada de carros importantes,
antes proibido. De lá para cá, porém, muita coisa mudou.
Mas foi nos
governos de Fernando Henrique Cardoso que o Brasil avançou com mais celeridade
e eficiência no processo de privatização. Durante a gestão tucana mais de
oitenta bilhões teriam entrado nos cofres públicos oriundos das vendas de
empresas estatais, comprovadamente ineficientes, que só contribuíam para
aumentar a dívida pública brasileira, além, é claro, de serem excessivamente
usadas e abusadas como moeda de troca para garantirem cargos a apadrinhados
políticos, sempre ávidos por nacos de poder. Naquele tempo, telefone fixo era
artigo de luxo, somente acessível a uma parcela reduzidíssima da população. O
aluguel de uma linha telefônica custava até oitocentos reais. Após a
privatização, tudo mudou. Ter um telefone ficou tão fácil que muita gente tem
mais de um aparelho. Hoje são milhões de linhas móveis e imóveis espalhadas
pelos quatro cantos do país.
No governo do então
presidente Jair Bolsonaro muitas empresas estatais entraram no radar da
privatização, como é o caso da Eletrobrás. Houve uma grande expectativa em
torno da privatização dos Correios. Estudos chegaram a ser idealizados, mas o
processo de privatização não avançou. Não é de hoje que a estatal deixou de
cumprir a função para a qual foi criada, tornando-se, assim, um estorvo para o
governo e alvo de críticas severas por parte da população descontente com os
péssimos serviços prestados pela empresa. Calcula-se que a estatal responda por
trinta por cento do mercado de encomendas, porém a maior parte do bolo é
dividido entre transportadoras privadas, que vêm ganhando cada vez mais espaço,
principalmente entre os pequenos e médios varejistas. Mesmo assim, ainda tem
gente dentro do atual governo falando em injetar dinheiro do contribuinte para tentar
retirar os Correios do abismo no qual mergulhou, devido a uma série de irregularidades
praticadas na empresa, que chegou a ser alvo de uma CPI em maio de 2005.
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