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A palavra da moda hoje no Brasil é democracia


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

Ultimamente, nunca se falou tanto no fortalecimento da democracia brasileira. A palavra tem sido mote de conferências, seminários, palestras e outras coisas do gênero. O mais impressionante, contudo, é que muitos daqueles que têm a responsabilidade de zelar pela democracia brasileira são os primeiros a tripudiarem sobre o regime. Como? Os exemplos são fartos e visíveis, desnecessário, portanto, enumerá-los.

Quando o assunto é democracia, não são poucos os que dizem se orgulhar do Brasil. Mas, cá entre nós, você já parou um pouco para pensar se a democracia que estamos construindo no Brasil é a democracia que realmente queremos? Sinceramente, você acha possível compatibilizar um projeto sério de desenvolvimento nacional com um regime contaminado pelo vírus da corrupção? Como manter princípios republicanos da honradez em meio a tantas patifarias que ferem de morte o ideário de constituição da nacionalidade? Até quando vamos ter que conviver com inquietações e procedimentos profundamente incompatíveis com a ética no trato da coisa pública?

Essas reflexões chegam a propósito do choque de interesses envolvendo autoridades e politicos da República, muitos dos quais velhos conhecidos da opinião pública, protagonistas do que há de mais sórdido na política nacional. De um lado, parlamentares sedentos por nacos de poder, dão ao governo os votos de que ele precisa para fazer passar seus projetos nas duas casas legislativas. Em troca, o governo entrega aos “aliados” cargos públicos para serem ocupados por apadrinhados e cabos eleitorais.

São esses, e não outros, os verdadeiros responsáveis pela exposição da democracia brasileira a toda sorte de atropelos. Em nome das liberdades civis e do regime democrático muitos saíram às ruas e outros tantos pagaram com a própria vida, mas isso nada parece significar para alguns segmentos da sociedade, acostumados aos porões úmidos e malcheirosos da politicagem. Você acha que essa gente está realmente preocupada com o destino da democracia brasileira, que deve ser preservada a qualquer preço, como bem maior do cidadão? Sinceramente, não!

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