Quarta-feira, 26 de setembro de 2012 - 14h44
Renata Giraldi*
Agência Brasil
Brasília – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou o Ocidente de "intimidação" nuclear, em discurso anual na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, hoje (26), segundo informações da agência de notícias BBC Brasil.
Ahmadinejad criticou o que chamou de "unilateralismo, imposição de guerras e ocupações para garantir interesses econômicos", além da "corrida armamentista e intimidação por armas nucleares". Também citou "a contínua ameaça de sionistas de recorrer à ação militar" (em referência à possibilidade de Israel atacar o Irã para impedir que o país persa obtenha armas nucleares).
O discurso foi boicotado pelos Estados Unidos e por Israel. Na véspera, em sua fala perante a Assembleia Geral, o presidente norte-americano, Barack Obama, havia dito que fará "tudo o que puder" para impedir um Irã nuclear.
Ao se reunir ontem (25) com os líderes religiosos dos países muçulmanos, o presidente do Irã disse que a discussão sobre armas não pode ser predominante nas relações multilaterais. Ahmadinejad negou irregularidades no programa nuclear iraniano, suspeito de produção de armas atômicas segundo parte da comunidade internacional. Para o presidente iraniano, o programa desenvolvido no país é utilizado como “ferramenta” para atacar o Irã.
“O programa nuclear iraniano é usado como uma ferramenta nas mãos de potências hegemônicas. Não há [avaliações] técnicas nem legais [sobre o programa nuclear iraniano]”, disse Ahmadinejad.
“[O programa do Irã] segue os regulamentos da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). A nação iraniana tem o pleno direito de desenvolver energia limpa.”
O presidente iraniano disse que o país é alvo de sanções internacionais há 18 anos. Segundo ele, o governo dos Estados Unidos lidera a campanha contra os iranianos. Para Ahmadinejad, há interesses externos em retomar a hegemonia política e econômica, que não é comportada no mundo atual. “A nação iraniana não tem medo de nada”, disse ele.
Ahmadinejad defendeu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O órgão é formado por 15 membros, dos quais apenas cinco têm assentos permanentes. O Brasil pleiteia uma vaga e sugere a ampliação do órgão. “Enquanto há quase 200 países do mundo que integram a organização, as decisões são tomadas por apenas alguns países”, disse Ahmadinejad.
*Com informações da agência pública de notícias do Irã, Irna, e da agência BBC Brasil
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