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”El niño": previsões apontam aumento da temperatura em 2024 em Rondônia


”El niño": previsões apontam aumento da temperatura em 2024 em Rondônia - Gente de Opinião

O fenômeno “El Niño” tem tornado a vida do rondoniense cada dia mais quente nos últimos meses. Foi dele a responsabilidade de imagens aterrorizantes em que rios gigantescos, como por exemplo o Rio Madeira, aparecem secos em diversos pontos de seu traçado, com enormes bancos de areia e uma anotação histórica: esta é a primeira vez em trinta anos que o “El Niño” provoca uma estiagem tão bruta que a Região Norte do Brasil. Os principais rios em níveis baixíssimos ao ponto de dizimar cardumes de diversas espécies de peixes, causar fome em comunidades ribeirinhas e colocar em alerta máximo autoridades de diversos setores da sociedade sobre a estabilidade dos próximos meses.

Os órgãos de controle em relação ao assunto, como Instituto Nacional de Meteorologia, Centro Nacional de Monitoramento de Desastres e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - Censipam, dão conta de que Rondônia enfrenta os efeitos do “El Niño” desde 2022, porém com índices considerados aceitáveis.

O Coordenador Estadual da Defesa Civil do Estado de Rondônia, Coronel Tadeu Sanchez Pinheiro, que também participa deste monitoramento, relata que no ano passado, o aumento da temperatura variou entre um grau e um grau e meio, enquanto neste ano, a temperatura passou dos três graus. Sanchez faz um comparativo para que as pessoas tenham uma noção do tamanho do problema.

“Aparentemente, um ou dois graus parece pouco, mas não é. A temperatura do nosso corpo é de 36.5 graus, se ela aumenta um ou dois graus estaremos com quase 39 e aí começamos a passar mal. A situação é a mesma em relação aos oceanos”, contextualiza. O problema é que o “El Niño” não é um fenômeno que passa rapidamente. A previsão é de que seus efeitos perdurem até 2024, e as expectativas não são nada boas. “Todos os sistemas de controle, tanto Europeu quanto Americano, todas as estimativas de cálculo dos órgãos competentes indicam que para o ano que vem há 95% de probabilidade de os efeitos do ‘El Niño’ serem iguais a como está ou mais severos”, pontuou o comandante da Defesa Civil de Rondônia.

Isso significa na prática que o rondoniense vai continuar passando muito calor, com sensações térmicas altíssimas e a possibilidade de chuva cada vez menor, afetando diretamente a vida das pessoas, uma vez que a produção agrícola deve ser comprometida, a navegação passa a ser afetada, dificultando o escoamento da produção e a logística de transporte para alguns produtos que entram em Rondônia.

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Os efeitos práticos do “El Niño” não ficam restritos apenas ao calorão. Ele também gera chuva, mas muita chuva acima da média. Um exemplo é o que tem acontecido no Sul do país. O coordenador da Defesa Civil de Rondônia fez uma explicação didática para compreensão geral: “O ‘El Niño’ causa seca extrema na Região Norte e muita chuva no Sul. Quando enfrentamos os efeitos da ‘La Niña’ é o contrário: muita chuva no Norte e seca no Sul”, explica.

Para que o leitor tenha uma noção mais aprofundada do assunto, em linhas gerais tem-se estes dois fenômenos. Para continuar com o efeito comparativo do corpo humano, o ‘El niño’ é como se fosse a febre, ou seja: ele causa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico na linha do Equador. Isso tem a ver com variação de ventos que influenciam diretamente a temperatura das águas.

Já quando a “El niña” se estabelece, há então a hipotermia, ou seja: o resfriamento excessivo das águas. A olho nu, ou a vista do cidadão comum, o que se tem é um volume muito grande de chuvas na Região Norte, causando inundações de diversos níveis, fato com o qual o nortista de um modo geral já está habituado. Em resumo, o “El niño” não faz você sentir calor além da conta. Ele também gera problemas sociais e ambientais que trarão diversos prejuízos.

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