Terça-feira, 14 de abril de 2026 - 10h40

A Promotoria de Justiça de Vilhena instaurou procedimento para apurar
possíveis irregularidades na readaptação funcional de professores da rede
municipal de ensino, tendo em vista a constatação de um número aparentemente
elevado (57 profissionais) de professores readaptados em suas funções.
Essa situação tem ocasionado prejuízo ao serviço educacional do
Município e há suspeitas de que, em alguns casos, a readaptação foi concedida
sem a devida observância dos critérios técnico-legais.
Além disso, mesmo nos casos em que a readaptação foi inicialmente
concedida de forma legítima, o Ministério Público verificou que parte desses
servidores pode não mais necessitar do benefício, estando, em tese, aptos a
retornar às salas de aula.
Diante desse cenário, na última quinta-feira (9/4), o Ministério Público
firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Município de Vilhena, com o
objetivo de assegurar a legalidade desses atos administrativos e coibir
distorções que possam comprometer a qualidade do ensino e gerar prejuízo ao
erário municipal, pois, estima-se que essas readaptações estejam gerando um
custo mensal aproximado de R$ 500 mil aos cofres públicos.
Pelo acordo firmado, o Município agora está obrigado a realizar ampla e
minuciosa fiscalização de todas as readaptações concedidas, revisando, anulando
ou revogando os casos em que forem constatadas irregularidades. Havendo
indícios de fraude ou má-fé, deverá comunicar imediatamente o Ministério
Público, que adotará as medidas cabíveis nas esferas cível, administrativa e
penal, com vistas à responsabilização dos envolvidos.
Ainda em razão do TAC, o Ministério Público exigiu que o Município adote
medidas para o aprimoramento da legislação e da regulamentação vigente, com o
objetivo de endurecer os critérios legais para concessão do benefício, eliminando
falhas e brechas e fortalecendo os mecanismos de controle, evitando, assim, que
a readaptação continue sendo concedida em casos em que ela não se justifica.
Segundo o Promotor de Justiça Fernando Franco Assunção, responsável pelo
caso, a atuação visa assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e a
regular prestação do serviço educacional. Ele ressaltou que “o
Ministério Público não admitirá a manutenção de situações ilegais envolvendo
professores em readaptação indevida. Havendo irregularidades, todas as
providências legais serão adotadas com firmeza e sem qualquer tolerância. O
objetivo é responsabilizar não apenas os professores eventualmente beneficiados
de forma ilegal, mas também, se for o caso, profissionais médicos que tenham contribuído,
de má-fé, para essas concessões indevidas, mediante a emissão de laudos ou
pareceres técnicos que não atestem adequadamente a necessidade da readaptação”.
O acordo estabelece prazos para o início e a conclusão da fiscalização a
ser implementada pelo Município e determina o envio de relatório detalhado ao
Ministério Público, que acompanhará diretamente o cumprimento das obrigações
assumidas.
A medida reforça a atuação firme, resolutiva e vigilante do Ministério
Público na defesa da legalidade, da moralidade administrativa e da correta
aplicação dos recursos públicos, especialmente em áreas sensíveis como a
educação.
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