Quarta-feira, 1 de julho de 2026 - 07h39

A Reforma Tributária
do Consumo, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, instituiu o IBS, a
CBS e o Imposto Seletivo, com a proposta de simplificar a cobrança de tributos
no Brasil. No entanto, apesar da promessa de simplificação, o novo modelo exige
atenção especial dos prestadores de serviço. O alerta do SIMPI é voltado principalmente
aos micro e pequenos empresários que atuam no setor de serviços, já que a nova
lógica tributária pode impactar diretamente a carga de impostos e a margem de
lucro dessas empresas. Na indústria e no comércio, é comum que as empresas
tenham custos com mercadorias, matéria-prima, embalagens e estoque. Esses
gastos, em muitos casos, podem gerar créditos tributários, permitindo que parte
do imposto pago ao longo da cadeia seja abatida. Já no setor de serviços, a
realidade costuma ser diferente. O principal custo de muitos negócios está na
mão de obra, no tempo do empresário, na equipe, no pró-labore e na estrutura
necessária para prestar o atendimento. Esses gastos, em regra, não geram
créditos de IBS e CBS da mesma forma que a compra de produtos e insumos. Na
prática, isso pode fazer com que prestadores de serviço tenham aumento na carga
tributária ou precisem lidar com redução na margem de lucro. Por isso, segundo
o SIMPI, o empresário não deve esperar a Reforma Tributária entrar plenamente
em vigor para começar a avaliar os possíveis impactos. A orientação é que cada
empresa analise desde já o faturamento, os custos, os contratos em andamento e
o modelo de prestação de serviço. Também é fundamental conversar com o contador
para entender como o novo sistema pode afetar o negócio nos próximos anos. A
Reforma Tributária não é um assunto distante ou restrito às grandes empresas.
Ela também pode atingir diretamente o pequeno empresário, especialmente aquele
que depende da prestação de serviços para manter sua atividade. O SIMPI reforça
que, nas próximas semanas, o tema será aprofundado, com explicações sobre os
impactos para o MEI, para as empresas do Simples Nacional e para quem presta
serviços a outras empresas. A entidade orienta que, em caso de dúvida, o
empresário procure informação e acompanhamento especializado. O SIMPI está à
disposição para auxiliar micro e pequenos empresários a compreenderem esse novo
cenário tributário e se prepararem com antecedência.
Assista:
https://youtu.be/si_cl-d0Mbw
Proposta do governo
para o MEI gera indignação no setor produtivo
A proposta enviada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional para atualizar
o teto de faturamento do Microempreendedor Individual foi recebida com forte
descontentamento por parte do setor produtivo. Embora o governo apresente a
medida como uma correção histórica, para muitos empresários a iniciativa chega
tarde, de forma tímida e ainda distante da real necessidade de quem empreende
no Brasil. O projeto prevê que o limite anual do MEI, congelado em R$ 81 mil
desde 2018, suba apenas para R$ 110 mil em 2027 e chegue a R$ 140 mil somente
em 2028. A proposta também permite que o microempreendedor contrate mais um
funcionário, ampliando de um para até dois empregados por empresa. O problema,
segundo representantes do setor, é que o MEI já carrega uma defasagem acumulada
há anos. Desde 2018, inflação, custos operacionais, aluguel, energia, insumos e
despesas básicas subiram, mas o teto permaneceu o mesmo. Na prática, o empreendedor
que cresce minimamente ou apenas reajusta seus preços para acompanhar a
inflação corre o risco de ser expulso do regime simplificado e empurrado para
uma carga tributária maior. Entidades empresariais já defendiam uma atualização
mais robusta. A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do
Brasil apontou, ainda em 2025, uma defasagem de 83,03% nos limites do Simples
Nacional desde 2018, o que levaria o teto do MEI para R$ 144,9 mil. Para o
setor, portanto, não se trata de conceder um benefício novo, mas apenas de
corrigir uma distorção que penaliza justamente os menores empreendedores. A
insatisfação aumenta porque a própria Câmara dos Deputados já havia aprovado
urgência para uma proposta que elevava o limite do MEI para R$ 144,9 mil e autorizava
a contratação de até dois empregados. Ou seja, o governo chega com uma proposta
escalonada, empurrando parte da correção para 2028, enquanto o setor esperava
uma recomposição imediata e mais próxima da perda acumulada. Na avaliação de
empresários, manter o teto defasado significa tributar a inflação. O MEI não
necessariamente está ganhando mais; muitas vezes, apenas aumentou o preço
porque tudo ficou mais caro. Mesmo assim, ao ultrapassar o limite, pode ser
desenquadrado e obrigado a migrar para outro regime, com mais burocracia, mais
impostos e maior custo para se manter formalizado. O governo argumenta que o
reajuste precisa ser feito de forma gradual para preservar o equilíbrio das
contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a
atualização do teto é uma pauta legítima, mas deve considerar a
responsabilidade fiscal. Para o setor produtivo, porém, esse argumento não
convence. A crítica é que o ajuste fiscal não pode recair, mais uma vez, sobre
quem está na base da economia: o pequeno empreendedor, o trabalhador que se
formalizou, gera renda, paga tributo e tenta crescer sem depender do Estado. O
Brasil possui milhões de microempreendedores individuais, e dados recentes do
próprio governo apontam 16,8 milhões de MEIs espalhados pelo país. Esse
universo representa uma das principais portas de entrada para a formalização,
especialmente para quem trabalha por conta própria e busca transformar uma
atividade de sobrevivência em negócio estruturado. Por isso, a reação negativa
do setor não é contra a atualização do teto, mas contra o tamanho e o prazo da
correção. Depois de quase uma década de congelamento, elevar o limite para R$
110 mil apenas em 2027 é visto como insuficiente. E deixar a recomposição maior
para 2028 reforça a sensação de que o governo reconhece o problema, mas não
enfrenta a urgência de quem vive a realidade do pequeno negócio todos os dias.
A proposta ainda será analisada pelo Congresso Nacional. Até lá, a pressão de
entidades empresariais deve continuar para que o texto avance com uma correção
mais justa, imediata e compatível com a inflação acumulada. Para o setor, o MEI
não precisa de favor: precisa apenas que o limite acompanhe a realidade
econômica do país.
Assista:
https://youtu.be/grTox9sYTE4
Vem aí juros baixos
para MEI bom pagador
A nova fase do
programa Desenrola lançou, nesta segunda-feira (29), modalidades de crédito
para estimular bons pagadores. O objetivo é beneficiar trabalhadores formais e
informais. Estudantes em dia com o Fies também terão linha especial para abrir
empresas. Para trabalhadores informais, o novo programa de renegociação vai
trocar dívidas com juros de 6% a 12% ao mês para no máximo 1,99%. Para aderir,
é preciso ter saldo devedor de crédito pessoal de até R$ 15 mil por instituição
financeira, com, pelo menos, quatro parcelas já pagas. Elas têm que estar em
dia ou com atraso de até 90 dias. Segundo uma simulação do Ministério da
Fazenda, para uma dívida de R$ 5.000, com juros menores, as parcelas podem cair
de R$ 700 para R$ 500, dando um alívio para o orçamento das famílias. Já para
os trabalhadores CLT, com carteira assinada, o Desenrola Adimplentes oferece
acesso a crédito consignado privado com garantia do saldo do FGTS e taxa de
juros limitada também a 1,99%. A medida provisória assinada hoje também vai
oferecer a estudantes e ex-estudantes com as parcelas em dia do Fies, o Fundo
de Financiamento Estudantil, uma linha de crédito que pode chegar a R$ 180 mil
reais para incentivar o empreendedorismo. Podem aderir alunos recém-formados e
graduados que pagaram em dia as últimas 36 parcelas do programa. “O adimplente
que tem um MEI, que quer montar uma sociedade limitada para fazer o seu
negócio, vai ter a linha de empreendedorismo mais barata que nós temos no
Brasil hoje. Eu vou dar o exemplo, presidente, do benefício que esse estudante
do Fies vai ter nessa nova linha. Lembrando que na pessoa jurídica, no MEI, na
limitada, ele pode tomar R$ 180 mil de crédito nessa linha e na pessoa física
R$ 80 mil em diferentes prazos, 96 meses de prazo na pessoa jurídica e 60 meses
de prazo na pessoa física”, detalha o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Assista:
https://youtu.be/-PpIRJBwnzE
Ele de novo:
Declarações de Luiz Marinho acendem alerta entre MEIs e Pequenos Empreendedores
O ministro do Trabalho
e Emprego, Luiz Marinho já mexeu com os 1,4 milhão de motoristas e com os 355
mil entregadores por aplicativos, onde desejava que todos fossem contratados em
carteira e aludiu ate a criação do maior
sindicato do mundo, e quase conseguiu. A
bola da vez agora são os 17 milhões de MEI’s, que ficam apreensivos com as recentes declarações do Ministro, durante
evento em Brasília, que defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) limite o
uso do MEI em situações que, segundo ele, configuram substituição irregular de
contratos formais de trabalho. Marinho afirmou que o MEI deve ser destinado
exclusivamente a quem exerce atividade empreendedora e criticou a utilização do
regime para profissionais que, na prática, mantêm vínculo empregatício com
empresas, classificando essa prática como fraude trabalhista. Embora o ministro
tenha direcionado suas críticas ao uso indevido do MEI, suas declarações foram
recebidas com preocupação por entidades representativas do setor. Muitos
empreendedores temem que o discurso possa resultar em maior insegurança
jurídica, aumento da fiscalização e até restrições ao regime, justamente em um
momento em que milhões de brasileiros encontram no MEI uma alternativa para
trabalhar, empreender e gerar renda. O debate também ocorre enquanto tramitam
propostas para ampliar o teto de faturamento do MEI e permitir a contratação de
mais empregados. Para representantes das micro e pequenas empresas, o foco do
governo deveria estar na modernização do regime, na redução da burocracia e na
criação de condições para que os pequenos negócios cresçam, em vez de ampliar
as incertezas sobre um modelo que se consolidou como uma das maiores
ferramentas de formalização da economia brasileira. Criado para incentivar o
empreendedorismo, o MEI já formalizou milhões de trabalhadores e contribuiu
para ampliar a arrecadação, a inclusão previdenciária e a geração de renda. Por
isso, lideranças empresariais defendem que eventuais fraudes sejam combatidas
de forma pontual, sem comprometer um sistema que beneficia quem empreende de
forma legítima. Para o setor, a mensagem é clara: combater irregularidades é
necessário, mas preservar e fortalecer o MEI é fundamental para a economia e
para milhões de brasileiros que vivem do próprio trabalho.
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