Quarta-feira, 29 de março de 2023 - 11h15

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) encerrou o
primeiro trimestre de 2023 no menor nível desde julho de 2021, atingindo 112,34
pontos em março, redução mensal de 1,6%, descontados os efeitos sazonais. Essa
foi a quarta queda consecutiva do índice, apurado mensalmente pela Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Entre os indicadores, o destaque do mês
foi, novamente, a queda de 7,6% da avaliação das condições atuais, a mais
intensa retração desde julho de 2020, ainda no início da pandemia de covid-19.
Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, embora a atividade econômica e
as vendas no varejo tenham desacelerado, os comerciantes estão enfrentando os
desafios com resiliência. “A inflação tem sido um fator persistente, assim como
algumas incertezas e turbulências no mercado de crédito, exigindo que as
empresas do setor real empreendam esforços para superar esses obstáculos nos
próximos meses”, afirma Tadros.
Avaliação da maioria é que a economia
piorou
Entre os varejistas, 58,1% consideram que
o desempenho da economia está pior do que no mesmo período do ano passado. Por
conta disso, a queda do índice de avaliação das condições econômicas atuais
superou os dois dígitos na variação mensal, -16,1%. O indicador intensificou-se
na zona de insatisfação, na casa dos 81,8 pontos. Na comparação anual, a queda
mais intensa se deu na avaliação das condições do comércio (-6,9%), com o
indicador também abaixo da zona de satisfação (93,8 pontos).
Com a inflação fora da meta e os juros
elevados, 51% dos comerciantes estão frustrados em relação às condições para
operação e ao volume de vendas. “Essa proporção vem crescendo desde novembro do
ano passado e passou a representar a maioria dos entrevistados em março”, aponta
a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira.
Grandes varejistas estão menos confiantes
Em março, a confiança dos comerciantes
caiu mais entre o grupo de empresas de grande porte, 3,7%, mas segue na zona de
otimismo, com 117,7 pontos. “A crise no crédito tem afetado o grande varejo nos
últimos meses, com menor disponibilidade de recursos e juros altos. Esse
contexto influencia negativamente a confiança dos agentes e do mercado no setor
e nas empresas que operam em diferentes segmentos do varejo”, explica a
economista da CNC.
Os tomadores de decisão das empresas com
mais de 50 funcionários são também os que apontam maior queda da pretensão de
investir nos negócios em março, com redução de 2,1%, bem como da intenção de
contratar novos talentos, indicador que teve queda de 4,1%.
Todos os segmentos devem reduzir
investimentos
Segundo Izis Ferreira, a piora na
avaliação das condições presentes e nas expectativas para o curto prazo está
levando os comerciantes a redimensionar os planos de investimento. O indicador
que mede as intenções de investimento atingiu 101,5 pontos, o menor patamar em
20 meses.
“Os juros altos alavancaram os negócios,
e o grande varejo segue em alerta para uma crise de crédito no setor”, ressalta
a economista. O Icec apontou que a disposição de investir no capital físico e
na expansão dos negócios é a menor em 18 meses; 49,9% dos tomadores de decisão
afirmaram, inclusive, que reduzirão esses investimentos, independentemente do
segmento.
Alimentos e bebidas mais caros desanimam
A intenção de investir dos varejistas de
supermercados, farmácias e cosméticos apresentou redução mais intensa do que os
demais comerciantes em março, na ordem de 4,2%. “Eles não vislumbram melhora
adicional significativa da inflação neste ano, que tem desacelerado, mas os
preços de alimentos e bebidas em geral ainda acumulam altas próximas de dois
dígitos”, pontua Izis Ferreira. Esse grupo de produtos, inclusive, sofre com
reajustes acima da média geral, especialmente por conta de questões climáticas
que afetaram as plantações, bem como pela alta dos preços dos combustíveis que
reverberou nos preços de fretes e embalagens.
Esse grupo de comerciantes é o que aponta
a menor intenção de renovar estoques, indicador que teve queda de 1,6% e chegou
à casa de 84,8 pontos, na zona pessimista.
De acordo com a economista, as pressões
persistentes nos preços também incomodam o varejo de saúde e cuidados pessoais,
que não tem conseguido repassar ao consumidor final parte desse aumento dos
custos, reduzindo ainda mais as margens de lucro.
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