Terça-feira, 16 de junho de 2026 - 14h15

Quando
o assunto é relacionamento, muitos casais conversam sobre casamento, filhos,
carreira e planos para o futuro. No entanto, uma das pautas mais importantes
para a construção de uma vida a dois ainda costuma ser deixada de lado: o
dinheiro.
Questões
relacionadas a orçamento doméstico, dívidas, investimentos e metas financeiras
frequentemente se tornam fontes de conflitos quando não são discutidas de forma
transparente. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre finanças está
entre os fatores que mais geram desgaste emocional e tensão dentro dos
relacionamentos.
Para
a professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, o problema vai além da
simples organização financeira.
"Muitos
casais evitam conversar sobre finanças. Isso acontece porque culturalmente
associamos dinheiro a poder pessoal. Isso pode resultar em um dos parceiros
esconder gastos, dívidas e receitas do outro — o que chamamos de infidelidade
financeira. Situações como essa podem adicionar estresse constante e, muitas
das vezes, são a razão para separações", explica Maria Clara, da Faculdade
Serra Dourada de Lorena.
Os erros financeiros mais comuns entre
casais
Segundo
a docente, a ausência de um planejamento financeiro compartilhado costuma levar
a erros que poderiam ser evitados com uma simples conversa periódica sobre o
orçamento familiar.
Entre
os problemas mais frequentes está a inexistência de uma reserva de emergência
para o casal. Sem esse recurso, situações inesperadas como desemprego,
problemas de saúde ou despesas urgentes podem comprometer significativamente a
estabilidade financeira da família.
Outro
ponto de atenção são os gastos duplicados. A falta de alinhamento pode fazer
com que ambos mantenham assinaturas, serviços ou despesas semelhantes sem
necessidade, aumentando os custos mensais sem que percebam.
Além
disso, quando cada parceiro possui expectativas diferentes para o presente e
para o futuro, surgem conflitos relacionados às prioridades financeiras.
"É
importante ambos serem sinceros com seus planos para o agora e para o futuro e
alinharem as expectativas. Quando existe clareza sobre os objetivos, as
decisões financeiras passam a fazer mais sentido para os dois", destaca.
Transformando dinheiro em ferramenta
para realizar sonhos
Embora
o tema ainda seja considerado delicado para muitas pessoas, a especialista
defende que falar sobre dinheiro pode se tornar um hábito positivo e até
motivador.
"Quando
o dinheiro vira um instrumento para realizar sonhos juntos, a conversa deixa de
ser chata e vira motivadora. Por isso, conversem sobre dinheiro pelo menos uma
vez por mês, coloquem como um compromisso na agenda. Não é para brigar, é para
comemorar as pequenas conquistas e continuar planejando", orienta Martins.
Ela
recomenda que o casal escolha uma ferramenta de controle financeiro que
funcione para ambos, seja uma planilha, aplicativo ou planner. O importante é
conseguir visualizar de forma clara quanto dinheiro entra e para onde ele está
sendo direcionado.
Outra estratégia é estabelecer metas
compartilhadas em diferentes horizontes de tempo:
Curto
prazo: viagens, lazer e experiências;
Médio
prazo: aquisição de veículo, reformas ou mudanças de residência;
Longo
prazo: aposentadoria, educação dos filhos e independência financeira.
"Estudar
sobre juros compostos e conhecer opções de investimentos também ajuda o casal a
construir patrimônio de forma mais eficiente ao longo dos anos",
acrescenta.
Conta conjunta ou separada? Especialista
explica qual modelo funciona melhor
Uma
dúvida comum entre casais diz respeito à administração das contas bancárias.
Afinal, é melhor manter tudo separado ou centralizar as finanças?
De
acordo com a especialista, não existe uma fórmula única. "Não existe
modelo certo ou errado. O mais importante é que a escolha esteja alinhada ao
perfil, à rotina e aos objetivos do casal."
Ela
explica que contas totalmente separadas costumam funcionar bem para quem
valoriza autonomia financeira, mas podem dificultar a visualização do
patrimônio construído em conjunto. Já a conta conjunta oferece maior
integração, embora possa gerar conflitos quando os hábitos de consumo são muito
diferentes.
Por
isso, o modelo híbrido tem ganhado espaço entre especialistas e casais. "O
modelo híbrido costuma ser o mais recomendado porque une organização e
autonomia. Uma conta pode ser destinada às despesas da casa e às metas
compartilhadas, enquanto cada pessoa mantém sua conta individual para gastos
pessoais", ressalta.
Construindo o futuro juntos
Mais
do que controlar gastos ou dividir contas, o planejamento financeiro a dois
representa uma ferramenta para fortalecer a parceria e construir objetivos em
comum.
Em
um momento em que o Dia dos Namorados convida casais a refletirem sobre o
futuro, a especialista reforça que falar sobre dinheiro é também uma forma de
demonstrar confiança, compromisso e responsabilidade.
"Planejar
finanças a dois não é sobre controlar o outro. É sobre alinhar sonhos. Quando o
casal aprende a falar sobre dinheiro, está, na verdade, desenhando o futuro que
quer construir junto", conclui Maria Clara Martins.
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