Quinta-feira, 24 de agosto de 2023 - 17h54

No YOUPIX no Fire Festival
2023, um evento para destruir barreiras e criar novidades na economia criativa
promovido pela Hotmart, numa palestra sobre a geração Z, a que nasceu conectada
e que hoje já tem influência e poder de compra, um jovem de 23 anos, o Luiz
Menezes, da Trope.se, que, por incrível que pareça já possui 7 anos de
experiência no mercado, entre outras coisas muito interessante, chamou a
atenção para o fato de que há, entre este pessoal que nasceu nos anos 90 em
diante, uma evasão de 50% dos bancos escolares. Segundo ele porque esta geração
pensa que o diploma, a certificação não é mais uma forma de ter acesso ao
mercado, de ter dinheiro. E reclamam, com razão que, infelizmente, quando
chegam nos bancos escolares são obrigados a ouvir por mais de uma hora, o
professor, no velho estilo “eu falo e vocês escutam” ( ao custo de oportunidade
de conversar com os amigos e ter lazer) e cobram nas avaliações coisas que eles
encontram num vídeo de 1 minuto!!! Incluso está a questão que, num mundo em que
o celular, o computador são caminhos de acesso aos conteúdos, não tem o menor
sentido fazer testes sem que as pessoas possam acessar conhecimentos que estão
disponíveis e não se precisa memorizar. Porém, o que fica evidente é o
desencanto dos jovens com a educação atual, o que se vê, na prática, dos
docentes que veem, cada vez mais, as classes minguarem. É comum, hoje, dar
aulas para classes de 9, ou até menos, pessoas nas universidades públicas e há
muita evasão durante os cursos. Como os campus das universidades são longe,
muitos deles, quando calculam quanto vão gastar de transporte, e de merenda,
para ir assistir as aulas terminam por concluir que é mais barato- e melhor-
fazer o curso por ensino à distância!!! A realidade também é que o mundo mudou,
as profissões mudaram, mas as escolas, as faculdades não. Continuam a oferecer
os mesmos cursos, que ofereceram ao longo de décadas, da mesma forma. Com
exceção de algumas faculdades privadas, que usam a tecnologia intensamente, o
que se observa no panorama brasileiro é que as salas de aula ignoram
completamente o mundo digital. Até mesmo não existe nem a infraestrutura nem o
preparo dos professores para ele. Assim, não é de estranhar que cursos, como os
oferecidos pela Google ou instituições voltadas para o digital, estejam, cada
vez mais, atraindo a atenção dos jovens. A necessidade de mudança no ensino
brasileiro é patente, mas se nem para manter suas estruturas, muitas vezes, há
dinheiro, imagine se teremos, até onde a vista alcança, uma mudança nos padrões
de ensino? O que vemos é, justamente, o contrário. Cada vez mais se procura
fazer do professor não uma pessoa dedicada ao ensino, mas alguém que tem que
ensinar, pesquisar e ainda fazer extensão sem que se dê a ele nem uma
retaguarda para tratar da burocracia. O resultado não se precisa dizer: está
aí. A escola perdendo importância, o professor desmotivado e inútil diante de
uma conjuntura que não tem como mudar. O discurso da educação é forte, mas o
ensino, com velhas estruturas, não muda nada.
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