Sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 - 05h33

O Joãozinho da nossa juventude, já era o João Raimundo Lins Dutra, desde que nasceu. Um pouco tímido, do jeito caladão, quando a intimidade surgia, era o João brincalhão, gozador, bem humorado e, nos campos de futebol, o intrépido goleador, o “fazedor” de golaços, que incendiavam a torcida do Guajará Esporte Clube, que, sob a batuta do Antônio Luis de Macedo ou do Luciano Cavalcante, tinha, como companheiros do time, entre outros, o Simão Salim, o seu irmão Flavinho, o Faz Tudo, o Sabão, o Pires, o Pirry, o Zé Boliviano e, depois o Denys Carrate e o Daniel Peres,e que, juntos, tantas alegrias legavam a sua torcida.
Joãozinho tinha um sentido de colocação; raramente ficava impedido e era um goleador astuto e sagaz! Lembro-me, quando pela seleção de Guajará-Mirim, fizemos parte de um grupo, num desses seis de agosto, à convite das autoridades e empresários da cidade de Riberalta, Bolívia, a ordem dos castelhanos, era marcar severamente, rigidamente, os passos dele, pois ao menor descuido, ele emplacava os seus gols, como a marca registrada de sua ação de artilheiro. Naquele dia, na primeira partida de futebol, os adversários bobearam e o Joãozinho, que, não perdoava a negligência, marcou duas vezes. Dois dias depois, a marcação em cima dele foi tão severa, que a seleção de lá, concentrada em marcá-lo, deixou um espaço tão grande para que este escriba contribuísse com outros dois, um deles, um presente do Joãozinho. Vencemos as duas contendas!
Em 1973, no tempo do tenente Henrique, o Joãozinho torna-se um agente da Lei. Já com 34 anos inicia a sua emblemática vida de policial e dá continuidade a sua intolerância para com a negligência, não mais esportiva, mas social; ampliando-a e transformando-a na intolerância contra o crime, organizado ou não. Desta feita, passou a agregar a sua personalidade, a alma do xerife vencedor. Os bandidos do lado boliviano e do lado brasileiro, que já o respeitavam, passaram a temê-lo, posto que, com a sua vivacidade, com a sua sagacidade, com os seus informantes e com o aguçado tino policial, descobria meliantes, ora, no porto, ora nas margens dos rios Mamoré e Pacaas Novos, ora pelas beiradas, pela orla que seguram as cachoeiras, ora pelas rodovias e pelas vicinais que demandam a nossa cidade.
Aquele atleta, que tinha o sentido de colocação, “farejava” a oportunidade, espreitando qual caçador, a sua preza, e zás! Marcava os gols que o seu time de coração precisava, devidamente auxiliado pela troupe que engrandecia o Guajará Esporte Clube. Jamais deixou de reconhecer o trabalho em equipe.
O atleta foi dando lugar ao policial, tinhoso, esperto, observador, percuciente, talentoso, voluntarioso, paciente e, sobretudo, idealista. Seus golaços continuavam a ser feitos no campo do estádio e noutros. Desde os anos 70, outro tipo de gols anda fazendo: vem retirando da sociedade, pela via da lei, aqueles fariseus que patrocinam, degrau a degrau, a expansão da marginalidade, do banditismo e da oferta do mal.
Aqui, peço permissão para transcrever um trecho de uma matéria escrita pelo não menos famoso ZéKatraca, articulista respeitado em Porto Velho e por que não dizer, em todo o Estado, sobre o Último Xerife: “reconhecendo o valor, não será exagero se escrevermos que João Pomba hoje pode ser considerado como Mito dentro da polícia de Rondônia. Para alguns, inclusive ele é uma lenda, tantas são as histórias mirabolantes que contam ou inventam a seu respeito. O certo, é que, esse policial, que está prestes a se aposentar. - "Até o final deste ano a aposentadoria chega". - É respeitado por todos, traficantes ou não. É considerado pelos superiores e, para muitos, é orgulho da polícia civil do estado de Rondônia. "João Pomba!”
Esse Joãozinho Lins Dutra de quem falo é um homem do bem! Seus companheiros de ação, de missão e de trabalho o reconhecem como um líder carismático e democrático. Esse Joãozinho sobre quem escrevo é personagem digno de um livro, de um romance, seja por sua vida profissional, por sua história esportiva, essas tão ricas, seja pelas vivências amorosas, sempre tão intensas, com que marcou a sua existência, até encontrar-se agora com a sua alma gêmea.
É bom que esse João Raimundo Lins Dutra, sobre quem me orgulho tanto, saiba que o reconheço como um grande paradigma, como um exemplo a ser seguido; aliás, é bom que o Joãozinho saiba que o reconheço como um generoso amigo, e que daqui lhe envio um abraço bem apertado, abraço esse que se confunde, pela intensidade, com o abraço de um irmão.
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