Quinta-feira, 8 de julho de 2010 - 10h47
A Petrobras foi criada, depois, a Eletrobrás, a Telebrás e assim outras sociedades de economia mista foram concebidas, com o objetivo de ter o monopólio de setores estratégicos e/ou criar os meios para melhorar as condições de vida do brasileiro.
Um dia a Vale do Rio Doce, concebida no então Governo Vargas, com recursos do povo acabou sendo privatizada. Em setembro de 1973, a Siderbras deu o ar das graças.
Para tanto, a sociedade tupiniquim foi acionada para garantir a implantação dessas empresas, em favor de quem o orçamento da União previu a mobilização de recursos com vistas a tornar possível a instalação dessas instituições.
Em outras palavras, dinheiro de Impostos, inclusive do Imposto de rendas foi direcionado para aquele desiderato. Dinheiro do povo, o verdadeiro dono do País.
Depois, toda vez que o Acionista Majoritário precisava e precisa mais dinheiro do povo é levantado visando à capitalização dessas empresas.
E ano após anos, a União vai desembolsando recursos do povo, repito, o verdadeiro dono da nação, visando a reforçar a necessidade, –sempre crescente– de capital para movimentar os setores estratégicos ou não, deste País.
Ainda que essas sociedades produzam Lucro, quando há a necessidade de investimentos vultosos a União, como sócia majoritária, coloca mais dinheiro do povo nessa inversão financeira.
É a regra!
A Petrobras, por exemplo, acaba de lançar um Edital com o objetivo de se capitalizar, ainda mais. O foco é o Pré Sal.
Mas, em termos reais, que benefícios diretos recolhem os verdadeiros donos da nação? Tudo bem: amplia-se a oferta de serviços básicos (quando o tema é energia ou comunicação), mas, convenhamos, os preços que as Concessionárias nos cobram para distribuir serviços básicos representam uma violência sem precedentes.
E justifico: os investimentos são patrocinados pelo povo, que é punido, cada vez mais, com estratosférica carga tributária, tarifas altíssimas de luz e água e, ainda, é estuprado quando tem que abastecer sua moto ou seu carro, com preços elevadíssimos praticados, por exemplo, pela Petrobrás, que, lá atrás recebeu de graça, o suor e o sangue do brasileiro que, via impostos, lhe garantiu a vida e vem contribuindo para a sua manutenção.
E o pior, é que se sabe que essa mesma Petrobras garante a entrega de gasolina para países “irmãos” a preços tão cândidos, infinitamente menores dos que pratica no nosso mercado interno, quando o contrário deveria acontecer, ante a necessidade de abençoar com preços coerentes os verdadeiros donos do País, uma grande Cooperativa, através dos seus sócio-cotistas anônimos, mas efetivos.
Na Venezuela, por exemplo, um litro de água é infinitamente mais caro que um litro de gasolina.
Segundo a articulista Maria Luiza Pimentel “Na Argentina, o valor gira em torno de R$ 1,53 e no Chile, R$ 2,02. Na América Central, um dos países com a gasolina mais cara é a Nicarágua, mas ainda assim o preço é 40% inferior ao do Brasil. No México, tradicional produtor de petróleo, o litro custa R$ 1,10. Na Austrália, mesmo na região mais cara, a gasolina ainda é 8% mais barata que no Brasil. No Japão, o valor do litro era de 127,2 ienes, o que, pela cotação da última sexta, dá R$ 2,57, preço similar ao brasileiro”. E esse preço fica ainda mais alto (por conta dos serviços pagos ao mecânico) quando se trata de combustível adulterado.
A ANEEL, por sua vez pratica tarifas extorsivas. E não premia os verdadeiros sócios do Brasil, que maciçamente investiram nas suas lideradas, com a fixação de cobranças de contas mais brandas.
Sabe-se que na formação dos preços há a astronômica cobrança de impostos, (só a gasolina incorpora 53%), o que vale para os anônimos e abandonados cidadãos brasileiros, os condôminos principais dessa confraria, o enjeitado povo, mais ônus decorrentes dessa brutalidade contra quem, com suor e sangue e muito trabalho agenciou, com dinheiro, a implantação dessas sociedades nacionais.
O fato é que a conta sempre é paga pelo povo brasileiro, o que se traduz como maior absurdo. O caso do combustível é uma contradição, pois sempre se falou que o preço final de bomba seria para compensar as pesquisas da Petrobras.
Porém, quando atingimos a autossuficiencia, nenhuma medida foi tomada para baixar o preço do combustível de petróleo e seus derivados, levando de roldão o preço final do álcool anidro, beneficiando os donos do país –o povo brasileiro– que, agora, também foi levado a responder presente, com o dinheiro dos impostos, nas ditas “pesquisas exploratórias” do Pré Sal...
Falta no Brasil um Robin Wood, que lutava contra a avidez do Rei da Inglaterra. Nem direito a um Ivanhoé (Ivanhoé é um romance do escritor britânico Walter Scott, publicado em 1819), nem que seja de Araque, para se almejar como salvador do povo de nossa Pátria...
Fonte: Paulo Cordeiro Saldanha
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