Segunda-feira, 28 de novembro de 2016 - 23h12

Bernardo Oro Nao diz que seu povo quer consumir e também vender pescado em Guajará-Mirim /Foto Alex Leite
MONTEZUMA CRUZ
Na Terra Indígena Deolinda, em Guajará-Mirim
O cacique Bernardo Oro Nao, 33 anos, quer mais peixes de qualidade no Lago de Cima, o mais bonito ao longo do rio Mamoré, na Amazônia Ocidental Brasileira. Há dois anos ele jogou nas águas carauaçu, curimatã e tambaqui, mas pretende aumentar o volume de pirarucu.
O lago é lindo, tem botos e encanta a criançada da Terra Indígena Deolinda, no interior do município de Guajará-Mirim, fronteira Brasil-Bolívia. Fomos visitá-lo recentemente, em companhia do cacique.
O curimatã tem apelido: quebra galho. A criançada programa pescarias e, além das espécies “plantadas” por Bernardo, fisga também traíras.
Em dias assim, os peixes são levados para debaixo das árvores, onde eles fritam ou assam em almoço coletivo.
“Se a Emater quiser mandar um técnico aqui, a gente aceita”, apelou. Bernardo sabe que a piscicultura está entre as principais prioridades do Governo de Rondônia, mas seu povo não dispõe de maiores recursos para alcançar o objetivo maior: pescar bastante e vender a produção em Guajará-Mirim, a duas horas de lancha voadeira.
O Lago de Cima é esplêndido. Para percorrê-lo, com motor rabeta, leva-se uma hora e meia. “Tem lugar aí que tem 15 braçadas (12 metros) de profundidade”, conta Bernardo.
Comumente, além do boto, o jacaré-açu, daqueles de cinco a seis metros de comprimento, passam rente às canoas, ou por baixo delas. Quem não está habituado, se assusta. Crianças e adultos indígenas, não, porque convivem com os bichos o tempo todo.
A TI Deolinda é habitada por remanescentes de sete povos Canoé, Jabuti, Macurap, Oro Nao, Oro Waran, Wajuru e Tupari. Ao todo, 150 pessoas. A piscicultura beneficiaria todas elas.
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