Quinta-feira, 1 de março de 2018 - 13h14

Montezuma Cruz
As andorinhas voltaram e ele também voltou. O centenário Jornal do Brasil circula, oito anos depois de agonizar.
Tão engasgados estamos no mundão da web, hoje povoado de fake news, que quase não percebemos o significado da volta de um jornal impresso que ressurge das cinzas.
Euler Belém (Jornal Opção, de Goiânia), diz: “O que não se deve esperar é que o JB volte a ser o JB de outrora, quando era considerado não um, mas “o” jornal. Era o jornal referencial; existia o JB e os outros”.
Suspeito por falar dele sem me emocionar, pois fui seu funcionário em Porto Velho, Cuiabá e São Luís, menciono Alberto Dines, editor-chefe desse jornal nos anos 1960 e criador dos célebres cadernos de jornalismo.
Segundo ele, o bom jornalismo tem relação direta com o meio impresso. Embora tenha se rendido parcialmente ao meio digital, é no impresso que Dines vê a essência do jornalismo. Para ele, é lendo no papel que as pessoas mergulham mais profundamente no que está escrito.

Além disso, Dines têm uma teoria interessante sobre a relação entre tempo, história e jornalismo. Ele explica que “o jornalismo impresso é periodista. Isso significa que, quando a edição fecha, você tem que fechar seu olhar sobre o assunto e arredondar a história que você tem até aquele ponto, para, se for o caso, reabri-la novamente posteriormente”. Jornalismo impresso é, então, um constante recorte de momentos. Talvez por isso não será extinto mesmo que, nas palavras do jornalista, “tenha que se adaptar aos novos tempos”.
A escola do JB segue iluminada em minha mente e em todas aquelas estimuladas pela clareza e pelo privilégio de fazer jornalismo nas mais difíceis condições, a exemplo da exumação do cadáver de um padre em São Mateus (MA), sobre a qual falo em meu livro Do jeito que vi, na página 127: “Beatas cantam em São Mateus”.
Boa semana a todos.
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