Porto Velho (RO) quinta-feira, 4 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Luciana Oliveira

Governo nega 2 reais ao trabalhador e vai gastar 10 bi para cooptar deputados: é um escândalo e ninguém reage


 

Gente de Opinião

No DCM, por Joaquim de Carvalho – A pesquisa do IBGE que mede o custo de vida (INPC) constatou que no ano passado as coisas ficaram mais caras do que o reajuste do salário mínimo decretado pelo governo federal — 2,07% contra 1,81%.

Em outras palavras, o mínimo perdeu poder de compra.

Ao decretar o reajuste, o governo não tinha ainda o índice de inflação, divulgado hoje, mas já sinalizava que sabia da sua insignificância.

Para o governo, o reajuste minúsculo era necessário para economia de 3,4 bilhões de reais ao longo do ano.

Na prática, se o índice de inflação fosse usado para a correção do mínimo, o trabalhador teria 2 reais a mais no fim do mês.

É quase nada e, ao mesmo tempo, é um corte escandaloso.

Escandaloso quando se verifica que o governo que nega uma nota de dois reais ao trabalhador é o mesmo que autoriza o ministro da articulação política a liberar 10 bilhões para obras.

E não são obras estratégicas para o crescimento do país.

São obras em redutos de deputados que votarem a favor da reforma da Previdência.

Na linguagem da política, obras de campanha.

O governo vai gastar três vezes mais para cooptar deputados que aceitarem participar de outro golpe contra a população – endurecer as regras da aposentadoria.

Não bastou o teto dos gastos públicos — que representa menos dinheiro para saúde e educação.

Também não foi suficiente a reforma trabalhista — que não gerou novos empregos, mas abriu uma janela para mais lucros aos grandes empresários.

O governo moverá mundos e fundos — principalmente fundos — para alterar as regras de aposentadoria.

O discurso será o do terror — ou se aprova a reforma, ou o Brasil acaba —, o mesmo que vem sendo usado desde meados de 2016.

A jornalista canadense Naomi Klein tem um estudo interessante que descreve como essa estratégia tem sido usada para aprovar reformas de caráter neoliberal, cujo efeito mais conhecido é a concentração de renda.

Ela chama de A Doutrina do Choque.

O golpe de Pinochet no Chile, o massacre da Praça de Tiananmen, o Colapso da União Soviética, o 11 de setembro de 2001, a guerra contra o Iraque, o tsunami asiático e o furacão Katrina foram eventos usados para promover as mesmas reformas que agora atingem em cheio o Brasil.

No país, a crise foi maximizada até nos encontrarmos em um estado parecido com o de guerra civil, sem armas e sem sangue, mas com o mesmo ódio latente.

Perguntaram a Naomi klein se as grandes potências tinham errado a mão no Oriente Médio, com a crise do Iraque, e provocado estragos não previstos.

Ele disse que não, pois o objetivo era esse mesmo: gerar pavor, para que ficasse gravado na memória da população, e assim implantar medidas impopulares sem grandes resistências.

Será que ninguém percebe que o Brasil está sob ataque?

Do impeachment à condenação de Lula, da Lava Jato ao acordo de indenização bilionária a ser paga pela Petrobras nos Estados Unidos.

Da desmoralização das grandes empresas de engenharia brasileiras à operação da polícia contra a indústria da carne.

Da privatização dos ativos públicos à negociação para a venda da Embraer ou o aluguel da Base de Alcântara.

São eventos interligados.

Obedecem à mesma matriz.

É a ação do Robin Hood ao contrário.

Tira do pobre para dar ao rico.

E, para isso, trata o brasileiro com choque.

Choque e pavor.

No futuro, quando olharmos para 2016, 2017 e talvez 2018, diremos que estes foram os anos da infâmia.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 4 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Ministro George Santoro entrega ponte sobre o Rio Candeias e autoriza mais de R$ 558 milhões em obras em Rondônia

Ministro George Santoro entrega ponte sobre o Rio Candeias e autoriza mais de R$ 558 milhões em obras em Rondônia

Investimentos ampliam capacidade logística do estado, retiram caminhões pesados do perímetro urbano de Porto Velho e garantem a manutenção de 251,

COP30: rascunho de carta final tem propostas para limitar aquecimento

COP30: rascunho de carta final tem propostas para limitar aquecimento

O rascunho da carta final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) reúne uma série de recomendações para acelerar a

Deputada Cláudia de Jesus destaca importância da união do campo progressista na Caminhada Esperança

Deputada Cláudia de Jesus destaca importância da união do campo progressista na Caminhada Esperança

O movimento que une nove partidos do campo democrático  em Rondônia realizou um grande ato, na chácara da Eucatur, em Jí-Paraná.A caminhada Esperança

Projeto Conectando Periferias leva cultura hip-hop a escola no Orgulho do Madeira

Projeto Conectando Periferias leva cultura hip-hop a escola no Orgulho do Madeira

Evento destaca a música rap com shows de artistas do Acre e diferentes cidades de Rondônia, além de palestra do renomado rapper Eduardo TaddeoO pro

Gente de Opinião Quinta-feira, 4 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)