Segunda-feira, 16 de maio de 2016 - 22h03
Salvando a lavoura
Em crise, Porto Velho que despencou no ranking – da 50ª para 100ª posição entre as principais cidades brasileiras - e se tornou a segunda cidade com maior inadimplência do País, sem indústrias, sobrevive do contracheque do funcionalismo público, que conta com um contingente de 60 a 70 mil incluindo, municipais, estaduais e federais.
Não fossem os esforços do governador Confúcio Moura (PMDB), do prefeito Mauro Nazif (PSB), do presidente da Assembléia Legislativa Maurão de Carvalho (PMDB) para garantir o pagamento no mês trabalhado, a situação econômica da capital rondoniense estaria muito pior. São justamente estes recursos injetados na economia local, principalmente os oriundos dos pagamentos dos servidores estaduais é que irrigam o comércio lojista, movimenta os restaurantes, ativa o consumo dos supermercados.
Mesmo num ano difícil, Porto Velho resiste a mais uma travessia econômica na expectativa de que as mudanças provocadas pelo impeachment da presidente Dilma venham a resolver graves problemas, como o do desemprego.
O pano de fundo
A impressão projetada pelo deputado Maurão de Carvalho (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa, em vista do seu comportamento perante a classe política, é o desejo de antecipar a corrida sucessória estadual, com costuras de acordos desde agora para 2018. Ansioso por definições desde já, ele acaba atropelando as articulações dos caciques máximos do seu partido, o governador Confúcio Moura e o presidente do Diretório Estadual, senador Valdir Raupp.
Ao abrir entendimentos com o tucano Expedito Junior, pré-candidato ao Senado e situado na mesma base de Raupp (Zona da Mata e Região do Café), Maurão esta interferindo nos planos raupistas e confucionistas para 2018. Expedito tem sido um adversário tradicional de Raupp e Confúcio nos últimos anos.
Acomodar as costuras no ambiente do PMDB, salvaguardando os interesses dos cardeais da legenda para as eleições municipais até é possível. No entanto, para 2018, tanto Raupp como Confúcio não vão querer um vizinho incômodo – e com o punhal da traição afiado - na sua aliança.
Esqueletos da Dominó
Passadas quase duas décadas da Operação Dominó, quando a Policia Federal desmantelou os esquemas de desvios de dinheiro na Assembléia Legislativa, os esqueletos estão se espalhando. Dois deputados estaduais daquela legislatura já morreram – José Emilio Paulista, que foi o único a renunciar ao cargo e João Suruí.
Na semana passada o juiz de direito Edvino Precvski publicou decisão a respeito contra os políticos e servidores envolvidos nos golpes praticados contra o erário. Em vista da anulação da sentença anterior, ele anuncia a elaboração de uma nova sentença, que deve ser publicada em breve pelo diário da justiça.
Como se recorda, o escândalo da Operação Dominó derivou de gravações de fitas pelo governador na época Ivo Cassol, ameaçado de impeachment pelo grupo político do então presidente da Assembléia Legislativa Carlão de Oliveira. O caso ganhou as manchetes dos jornais e chegou ao Fantástico tal o volume de envolvidos nos esquemas e dos 24 deputados escapou apenas dois das garras da justiça.
De lá para cá outras gestões da Assembléia Legislativa se enrascaram com o Judiciário. De Natanael Silva (preso) a Walter Araujo (igualmente preso), a casa de Leis Corre agora na recuperação da imagem do Poder Legislativo.
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