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Carlos Sperança

Não se pode descartar uma coalizão da esquerda e centro-esquerda em Porto Velho


Não se pode descartar uma coalizão da esquerda e centro-esquerda em Porto Velho - Gente de Opinião

Traçar mapas

O jardineiro inglês Eric Lawes procurava um martelo perdido em 1992 quando se deparou com uma caixa contendo 15 mil moedas valendo US$ 4,3 milhões. Houve tempo em que tesouros escondidos só poderiam ser descobertos por acaso ou com mapas. Desde o detector de metal as tecnologias evoluíram até permitir indicações seguras sobre onde cavar para achar riquezas. No que toca à Amazônia, ela é o próprio mapa de riquezas que vão tirar o Brasil do atraso e juntá-lo ao time das nações desenvolvidas.

Os tesouros amazônicos ainda não são todos conhecidos, mas podem ser resumidos em uma expressão: biodiversidade. Por falar em mapas, é preciso mapear as notícias sobre a atualidade de ameaças apocalípticas e crimes ambientais para conjurar os perigos unindo a sociedade e fortalecendo o poder público. É também urgente mapear as riquezas já conhecidas e seu potencial em favor dos nossos povos e dos países que compartilham a floresta e a partir daí traçar novos e melhores mapas.

É um caso de estratégia e tática: a primeira consiste em definir a bioeconomia como o caminho brasileiro para o pleno desenvolvimento e a tática se desdobrará em utilizar bem os mapas e cenários para obter o máximo de riquezas com um mínimo de custos. Inclusive das vidas poupadas prevenindo assustadoras epidemias que a ciência anuncia como consequência óbvia da destruição da biodiversidade.

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A comemoração

Com o lançamento de um livro biográfico, o presidente do grupo SGC, Assis Gurgacz, abriu as comemorações dos 60 anos da Eucatur, em evento realizado em Ji-Paraná na última quarta-feira. Transmitido também para o Paraná, através da CATV, com sede em Cascavel, berço das empresas do clã Gurgacz e bem prestigiado por lideranças, o ato revelou um dos momentos históricos mais importantes, ainda nos idos do território, quando o então governador Humberto da Silva Guedes cobrou publicamente do presidente Ernesto Geisel que interrompesse a migração para Rondônia. Isto diante de centenas de migrantes, em plena inauguração do aeroporto de Vila Rondônia, atual Ji-Paraná.

Contra migração

Se dependesse do então governador Humberto Guedes, o crescimento de Rondônia seria prejudicado. Ele promoveu intensa campanha contra o ingresso de migrantes em discursos agressivos também em Vilhena e Ariquemes, chegou a cogitar a possibilidade de montar barreiras na fronteira com o MT, no sul do estado para impedir o desembarque de colonos, a maioria procedente do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Alegava que a situação era difícil com o apogeu migratório. Responsável pelo transporte dos colonos, a Eucatur quase foi a falência e teve que lutar bravamente para reabilitar as suas linhas para transportar os migrantes E Rondônia disparou.

As possibilidades

Aproximam-se as convenções partidárias de julho que vão decidir as candidaturas dos postulantes a prefeitura de Porto Velho e com isto o assunto começa a tomar conta do cenário político. Cada um faz as suas contas, e eu também faço as minhas. É possível admitir que o racha dos bolsonaristas em pelo menos três candidaturas – Fernando Máximo, Mariana Carvalho e Leo Moraes – coloca a esquerda, unida a centro esquerda com chances de conquistar uma vaga num previsível segundo turno em Porto Velho. O requisito para a proeza é escolher bem o seu candidato - e se unir.

Tem histórico

A esquerda unida com a centro-esquerda tem um bom histórico nos pleitos em Porto Velho. Senão vejamos: o primeiro prefeito eleito pelo voto direto na capital do estado, Jeronimo Santana, um ex-guerrilheiro do MR-8, foi eleito pelo MDB. Também José Guedes, com o perfil de centro-esquerda comandou o Paço Municipal Tancredo Neves durante quatro anos, filiado ao PSDB. Pelo PSB, com perfil a esquerda, também Mauro Nazif, derrotou candidatos conservadores. Mais recentemente, Hildon Chaves venceu candidatos conservadores duas vezes (contra Leo e Cristiane Lopes), sendo eleito e reeleito pelo PSDB.

Boas chances

Portando não se pode descartar as chances de uma coalizão da esquerda e centro-esquerda em Porto Velho. Mesmo porque é uma cidade não tão bolsonarista e com a menor influência evangélica no estado. Enquanto os evangélicos proliferam no interior, na capital o segmento não é tão relevante eleitoralmente, ainda mais com o bolsonarismo dividido como está por aqui. Sempre que um candidato governista disputa pleitos em Rondônia com a base dividida – seja a prefeitura de Porto Velho ou ao governo do estado – tem grandes chances de levar bordoada. Vamos ver como as coisas se configuram nas convenções partidárias.

Contas erradas

Os governistas, sejam situacionistas municipais e estaduais, fazem as contas acreditando que o apoio do prefeito Hildon Chaves conjuntamente com o governador Marcos Rocha, significa uma grande vitória para a ungida Mariana Carvalho. Alguns dizem que até ficam com pena dos adversários. Não é bem assim, o apoio do tucano Hildon Chaves ajuda muito, já o comprometimento de Marcos Rocha nem tanto. Porto Velho tradicionalmente vota contra os candidatos apoiados por governadores e Marcos Rocha, baita governador no segmento econômico, deixa a desejar muito na segurança púbica e na saúde.

Um retrospecto

Vejam alguns retrospectos de governadores levando pau com seus candidatos nas eleições municipais em Porto Velho. No governo Jeronimo Santana (MDB), ganhou oposicionista Chiquilito Erse (PFL), no Governo Piana (PRN), deu José Guedes, no governo Raupp (MDB) deu Chiquilito de novo, no governo Bianco, deu Carlinhos (PDT), na gestão Ivo Cassol (PP), a supremacia duas vezes de Roberto Sobrinho (PT), eleito e reeleito. O governador Confúcio também não emplacou prefeito do MDB. Agora, Marcos Rocha vai tentar quebrar o tabu, emplacando um prefeito (a). Seu apoio, no entanto, não colabora.

Via Direta

*** Todos partidos  estão envolvidos nas articulações de chapas competitivas para a Câmara de Vereadores de Porto velho*** Sabe-se que 19 dos 21 vereadores atuais vão a reeleição e buscam alternativas viáveis para sus projetos e otimismo é enorme com o aumento de cadeiras de 21 para 123 na próxima legislatura ***Os macacos velhos do legislativo de Porto Velho levam vantagem no pleito mantendo estruturas de campanha reforçadas e recursos no bolso *** O senador Confúcio Moura e o presidente regional do MDB Lucio Mosquini ainda não encontraram um candidato competitivo para disputar a prefeitura da capital ***A garimpagem  dos caciques do MDB continua.

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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