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Carlos Sperança

Derrota régia + Grande virada + Herança cassolista + Fragmentação de votos


Derrota régia + Grande virada + Herança cassolista + Fragmentação de votos  - Gente de Opinião

Derrota régia

Coxinhas ou mortadelas, não importa a dieta duvidosa que alguém cultive, todos sabem que há no exterior uma enxurrada de notícias negativas sobre o Brasil. Não importa quem acuse quem do quê, acima de tudo e de todos há uma consequência evidente de tanta negatividade: isso prejudica o Brasil e vai atrapalhar o próximo governo por longo tempo.

Na era das fake news e fofocas elevadas a filosofia, os maliciosos, quando não têm más notícias reais, inventam. Mas isso, apesar de iludir os desinformados e irar os convertidos, não atrapalha o país lá fora. O que atrapalha é a checagem da má notícia verificá-la como verdadeira. A piora nas queimadas e no desmatamento, por exemplo. Mesmo que alguém alegue a queima de uma São Paulo a mais ou campos de futebol extras desmatados, a checagem aponta piora real nesses índices.

Investidores se informam contratando consultorias de renome. Clientes conscientes pesquisam o que consomem e rejeitam produtos provenientes de regiões onde se pratica genocídio e destruição ambiental. Turistas não viajam para regiões onde balas perdidas alcançam crianças dentro dos próprios lares. Quando eles veem no MapBiomas que a Amazônia perdeu 14,5% de superfície de água nos últimos 20 anos, a imagem mental que fazem é do Rio Amazonas seco e a vitória-régia transformada em régia derrota.

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Grande virada

Com seus direitos resgatados pela justiça, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) volta ao horário gratuito liberado para a utilização dos recursos oriundos do fundo eleitoral. Uma grande mobilização começou em todo o estado para uma virada, numa corrida de recuperação do senador para garantir sua reeleição. A capital tem sido prioritária com caminhadas nos grandes centros comerciais da Jatuarana, 7 de Setembro e Amador dos Reis, como mostra a tradição em campanhas por aqui. Na região central, onde concentra grande reduto, as paliçadas foram reforçadas para as últimas duas semanas de campanha.

Voto útil

Já se vê boa parte do eleitorado usando voto útil nas eleições presidenciais favorecendo o petista Luís Inácio Lula da Silva. Neste momento o eleitor antibolsonarista está escolhendo o nome em melhores condições de derrotar o atual presidente e os candidatos mais atingidos pela opção são Ciro Gomes (PDT-CE) e Simone Tebet (MDB-MS). Não se sabe se com isto Lula pode encaminhar uma vitória consagradora em primeiro turno. Em 2018 o voto útil foi usado em favor de Bolsonaro, com o reforço da facada recebida em Juiz de fora, sendo considerado a melhor opção antipetista.

Herança cassolista

As duas pesquisas divulgadas no final de semana, de diferentes institutos, sinalizam que o principal beneficiário dos eleitores do ex-governador Ivo Cassol (PP-Rolim de Moura) que desistiu da peleja acabaram nas mãos do atual governador Marcos Rocha (União Brasil-Porto Velho). Rocha não tem apenas a preferência dos cassolistas, também está recebendo o apoio bolsonarista majoritariamente, numa disputa com o Senador Marcos Rogério, considerado incialmente mais próximo do presidente por sua devoção canina no Congresso Nacional. De qualquer forma o bolsonarismo deve contar com dois candidatos no previsível segundo turno.

Uma tendência

Com Lula ratificando a liderança na corrida presidencial, a tendência é que Daniel Pereira, o candidato dos petistas pelo menos suba nas pesquisas nestas duas semanas que antecedem a eleição. No caso de Marcos Rogério, ele é o único candidato do interior e isto faz a diferença em favor dele num interior sabidamente bairrista. E por último é difícil este papo de vitória de algum candidato em primeiro turno em Rondônia. Mesmo porque as eleições por aqui são sujeitas a reviravoltas e aos efeitos manadas que ocorrem somente nos últimos dias do pleito.

A fragmentação

A fragmentação de votos nas disputas para Assembleia Legislativa em Porto Velho tem sido enorme e por isto costumeiramente os postulantes da capital perdem o pódio de mais votados para municípios do interior, mais unidos. No pleito de 2018 por exemplo, um candidato com mais de 10 mil votos na capital foi raro e a tendência agora exceto raras exceções –talvez Yeda Chaves – os campeões de votos na peleja despontarem na roça. Mas em algumas coisas são previsíveis: da Câmara de Vereadores de Porto Velho emergem pelo menos dois ou três deputados estaduais por legislatura derrubando parlamentares locais do poleiro.

Via Direta

*** Nos últimos pleitos já tivemos casos de renovação de até 70 por cento dos cargos eletivos na Assembleia Legislativa. Infelizmente não tem sido uma renovação dos quadros políticos saudável ***. A atual legislatura, por exemplo, teve vários episódios de deputados cassados, outros com os registros indeferidos para disputar a eleição e tantos e outros seguem enrolados com a justiça como se trata do deputado propineiro Eurípedes Lebrão *** Bons tempos de parlamentares com qualidade e longe de rolos, como Amir Lando, José Bianco, Tomás Correia, Amizael Silva, Walderedo e outros que proporcionavam mais lucidez nos debates ***  A militância da Frente Democrática está nas ruas para  reforçar a campanha de Daniel Pereira ao governo estadual. Elke enfaiza seus projetos para a saúde, segurança pública e educação.  

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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