Quinta-feira, 30 de junho de 2022 - 17h11

A
indicação da benquista ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina como
alternativa a um general para vice do presidente Jair Bolsonaro seria fato novo
digno de nota se não fosse o cenário em que foi feita. Mas foi um balão de
ensaio para desviar a ex-ministra de sua sólida posição na corrida ao Senado,
onde terá mais expressão que como vice dois de paus.
O
Centrão está ansioso para emplacar um político de seu meio na vice-presidência,
mas para o governo a ex-ministra como opção não passa de manobra para disfarçar
o fracasso na recente reunião da Organização Mundial do Comércio, onde não
conseguiu apoio à proposta de blindar a segurança alimentar da “guerra” na
Ucrânia. A posição do Brasil talvez fosse mais forte com a própria Tereza
negociando. Mas, objetivamente, o país colhe os frutos amargos da péssima
imagem do país no exterior.
Na hora em que o Brasil deveria conquistar
dentro do bloco Brics uma posição de apoio às suas demandas, sua batalha contra
a posição da Índia e a desconfiança de algumas nações africanas travaram o
avanço da proposta brasileira.
A
essa altura, a Rússia domina o noticiário com sua “operação especial” na
Ucrânia, a China se empodera peitando os EUA no caso de Taiwan, a Índia vai
ditando o tom do debate alimentar e o Brasil sai enfraquecido. Se servir de
consolo, aliás, não foi só o Brasil que fracassou: a própria OMC é a cara do fracasso
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Favoritos na largada
Num
trabalho de consultas e prospecções com lideranças políticas da capital e do
interior, tentei listar os favoritos para as eleições 2022, mas o quadro de
indefinições ainda está muito grande para exercer até futurologia. Para o
governo do estado, por exemplo, vem aí ainda o cacique Confúcio Moura (MDB-Porto
Velho), acostumado a virar o jogo. Entrando na disputa já transforma a corrida
sucessória de cabeça para baixo. Sua candidatura também poderia inibir outras
postulações com dificuldades em se firmar neste estágio de campanha.
Indefinições ao Senado
Também
a disputa da única cadeira ao Senado está repleta de incertezas. Se os
ex-senadores Expedito Junior (PSD) e Valdir Raupp de Matos (MDB) entrarem na
parada, o favoritismo de Mariana Carvalho (Progressistas-Porto Velho) e Jayme
Bagatolli (PL-Vilhena) vira fumaça. Mas Mariana poderia ser beneficiada pela
canibalização na roça, com a quantidade de candidatos no interior. Contra si na
capital, se Mauro Nazif PSB) entrar nas paradas racharia sua votação causando
transtornos a ex-tucana que virou bolsonarista.
Criador x criaturas
Uma
das pelejas mais interessantes a Assembleia Legislativa envolve as figuras do
criador (Maurão de Carvalho) e as suas criaturas, nada mais nada menos do que
três deputados estaduais evangélicos com mandatos que cresceram nas suas asas,
entre eles Marcelo Cruz, ex-assessor de Maurão. Todos querem jogá-lo numa candidatura
ao Senado, vice ou até ao governo do estado para se livrar da concorrência,
pois tem consciência que herdaram votos de Maurão e não querem sair no
prejuízo. A situação está criada e teremos aí um duelo entre o criador e suas
criaturas na peleja 2022.
A ponte dos suicídios
Com
certeza a ponte sobre o Rio Madeira é o ponto predileto dos drogados,
desiludidos e bebuns para a prática de suicídios. Desde a sua inauguração, e
isto faz mais de uma década pelo menos uma dúzia se atirou água abaixo para dar
um abraço nos candirus dos infernos. Alguns morreram, outros acabam socorridos.
Talvez a proximidade de cracolândias instaladas as margens do Rio Madeira e
botecos de má fama e próximas a ponte tenha alguma coisa a ver com esta
incidência. Fala-se também que em alguns casos foi por decepção amorosa. Será?
Cassolismo fechado
Tudo
indica que o cassolismo já está fechado com o pré-candidato do Podemos ao governo
do estado, Leo Moraes. Ele terá a deputada federal Jaqueline Cassol (Rolim de
Moura), mana do ex-governador Ivo Cassol ao Senado, incluindo o PP na sua
aliança. O ex-prefeito e ex-deputado federal Carlos Magno (Ouro Preto do Oeste)
já se movimenta na busca de uma cadeira a Câmara dos Deputados, articulando a
campanha de Leo na região central do estado. Magno vê em Leo um “novo Ivo Cassol”,
aquele que foi o grande campeão de votos na década passada.
Via Direta
*** O cancelamento de voos regionais em Rondônia
pela Empresa Azul pegou de surpresa cidades beneficiadas como Ariquemes e
Cacoal. Pior mesmo ficou para Ariquemes que ficou “pelada” já que Cacoal mantém
seus voos para Cuiabá *** Com novas obras projetadas, a construção civil promete
reagir em Porto Velho neste segundo semestre gerando empregos. O problema será
encontrar mão de obra qualificada já que os bons profissionais migraram para os
estados do Sul ou estão em processo de imigração para os Estados Unidos e
Portugal *** Impressionante o índice de
criminalidade em Rondônia. Agora as estatísticas apontam também o interior
rondoniense no mapa da violência *** Enquanto isto os presidiários seguem
aplicando golpes mesmo dentro dos presídios. Como é que chegam tantos celulares
as celas?
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