Porto Velho (RO) segunda-feira, 1 de junho de 2020
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Gente de Opinião

Matias Mendes

BOATOS: Fazendas Fantasmas


                    Por MATIAS MENDES
 

                Dias atrás, neste mesmo espaço de imprensa, eu teci comentários a respeito da situação do município de Costa Marques, cujo aspecto urbano atual, dentro de suas limitações locais, é sobremaneira muito mais apresentável que o município de Guajará-Mirim. E é de fato verdade, Costa Marques apresenta condições econômicas e urbanas bem melhores que o antigo município de Guajará-Mirim que lhe serviu de matriz territorial, do qual foi desmembrado há menos de trinta de anos. A pavimentação da BR-429, conquanto ainda não esteja totalmente concluída, deu de fato a Costa Marques o perfil de uma cidade turística, principalmente em razão de suas belezas naturais e do monumento histórico do Forte do Príncipe da Beira, distrito que dista menos de trinta quilômetros da sede do município.

                No mesmo artigo, comentei en passant a nova tendência da economia do município de Costa Marques nitidamente inclinada à pecuária, com destaque para alguns novos criadores de rebanhos bovinos e ovinos que começam a despontar na área rural do município. Pelas informações que me foram aportadas, um desses novos promissores pecuaristas seria o ex-prefeito da cidade Dinho Mesquita, esposo da ex-prefeita Jaqueline Ferreira, que, segundo as informações, estaria estabelecido no ramo da agropecuária com algumas fazendas especializadas em criação de bovinos e ovinos das melhores raças. No entanto, verificando as informações, pude constatar que o ex-prefeito Dinho Mesquita, apontado pelas informações como virtual candidato ao Senado ou à Câmara dos Deputados nas próximas eleições, não passa ainda de modesto criador de ovelhas comuns, detendo como propriedades rurais incipientes fazendolas às margens do rio Guaporé, com minguado rebanho de ovelhas comuns, não havendo nas suas propriedades rurais uma sequer cabeça de ovelha da raça Santa Inês nem de qualquer outra raça que mereça destaque. Suas propriedades rurais mal ultrapassam a condição de um sítio desses que muitos cultivam para o lazer da família em fins de semana, nada havendo de extraordinário nas propriedades.

                A constatação de que as informações não correspondiam à verdade levou-me à reflexão sobre as razões dos informantes que atestaram a prosperidade do casal de ex-prefeitos. Como sou amigo e conhecido de várias décadas das famílias Mesquita e Ferreira, com as quais mantenho estreitas ligações desde a época de minha própria infância e juventude passadas na região do Vale do Guaporé, em Costa Marques e no Forte do Príncipe da Beira, antes da minha saída para as perambulações amazônicas que se prolongaram por mais de quarenta anos, não me foi difícil apurar as inverdades contidas nas informações que me chegaram. Como as informações sobre a prosperidade ou a suposta prosperidade do casal de ex-prefeitos não continham propriamente nenhuma forma de acusação contra o casal, eu cheguei a concluir que o factoide divulgado poderia até ser da assessoria de imprensa do casal com o objetivo de colocar em evidência uma possível candidatura de Dinho Mesquita em 1914, fato que não seria em nada descabido, considerando-se que tanto Dinho  Mesquita como Jaqueline Ferreira têm de fato peso eleitoral na região de Costa Marques para pleitearem cargos nos níveis estadual e federal, sendo ambos perfeitamente qualificados política e intelectualmente para tal. Nada obsta. São dois legítimos representantes políticos da região do Baixo Guaporé, não são dois aventureiros, têm raízes profundamente fincadas na região ribeirinha da fronteira, são integrantes de famílias tradicionais da região com todos os direitos de pretenderem novos rumos políticos. Eu não me surpreenderia nada se qualquer um deles obtivesse sucesso numa eleição em plano estadual ou federal. Mesmo a despeito de que os latinos ensinavam que Nemo propheta in patria sua, velho conceito cujos efeitos já experimentei muitas vezes na minha própria carne, nada impede que Jaqueline Ferreira ou Dinho Mesquita representem a grande novidade política nas eleições do ano que vem. E como eu sou um guaporeano de convicções telúricas muito arraigadas, certamente que eu votaria sem pensar duas vezes em qualquer um dos dois para o plano estadual ou para o plano federal. Eles têm perfeitas condições para receberem os votos do povo guaporeano.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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