Terça-feira, 9 de junho de 2026 - 15h03

“Sabedoria se é demais
vira bicho e come o sabido”, diz Zé de Nana. Argentina e Brasil lutaram pelo Mercosul,
ideia surgida em 1980 e firmada por Sarney e Alfonsin em 1985 e efetivada em
1991. Já estivemos na proa, a reboque, vimos o Mercosul, filho crescer aos
trancos e barrancos, ser aceito pela UE e seria a hora de o Brasil usufruir do
que produzimos como celeiro do mundo. Aí pintou um entrave e a carne não a do
Mercosul, mas só do Brasil foi vetada ppara a Europa, justo no momento em que O
Brasil de Lula está às turras com o Laranjão, dizendo que vai em busca de novos
parceiros e quando a China anuncia que aceita comprar a carne brazuka sem
restrições territoriais. Claro que para tudo há uma razão e afirmo que o veto
da UE é fruto da burocracia e leseira, conjuminadas com a bobeira e o vacilo
como podem
ver nestas explicações. Agora é correr atrás da China ou do
prejuízo.
1.1- Agro em crise existencial I

Empresas do agro com bom
nível de desempenho e de governança passam apuros mas têm vias para negociar dívidas
e diversificar investimento, mas desde o fim do ano passado a inadimplência do agro
afundou o balanço do Banco do Brasil e fez tremer famílias de agricultores que dependem
quase que somente do agro. A crise é séria e nem vimos toda sua cara perversa,
mas cito tópicos bem relevantes para uma análise superficial: Preço das commodities em queda
– é internacional. Custos de
produção – Subiram os preços dos fertilizantes, defensivos e
insumos. Quebras de safra
– Eventos climáticos reduziram a colheita. Taxa de juros – Juros penalizam o credito e
refinanciamento. Alavancagem
financeira: Máquinas e tecnologia adquiridas a credito por anos a
fio reduzem o disponível financeiro. Dívidas
em dólar: O câmbio volátil pressiona o contrato de balcão e o
contrato barter. Recuperação
judicial: PJ e PF vivem hoje o cenário caótico. Restrição do crédito geral:
Bancos e Fiagros estão mais seletivos para conceder empréstimos e bem rigorosos
com cadastros. As máquinas modernas existem, mas o movimento mesmo está nas
oficinas de recuperação lotadas de máquinas usadas. Verdade.
1.1- Agro em crise existencial II

Agricultura precisa de água, sol e dinheiro. O dinheiro
financia o plantio, socorre nas intempéries e garante entregas e contratos. O
crédito rural está na transição forçada
para o banco privado e as razões são: Redução das linhas equalizadas:
Há dinheiro, mas os juros subsidiados pela União encolheram levando o agro a
buscar os bancos privados. Aumento do custo do dinheiro:
O governo precisa financiar a máquina pública e compete com o agro que busca no
mesmo banco o financiamento da safra. Busca do banco privado: Instrumentos
como Cédula de Produto Rural (CPR), Fiagros e securitização são os reais financiadores
hoje, à disposição e a Faria Lima é que dá as cartas e o ritmo do agro. Vulnerabilidade
de pequenos e médios: Sem subsídio e opções competitivas o setor precarizou
e é pior, é ele que gera mais empregos. Insegurança com o Seguro Rural:
Os cortes e contingenciamentos da subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
deixam o produtor vendido quando ocorrem as intempéries climáticas. Sem seguro
e sem crédito barato, o risco de inadimplência explode a qualquer sinal de seca
ou chuva e aí vem a Pressão por socorro emergencial: R$ 100 bilhões em
dívidas vencidas impossíveis de serem absorvidas pelos bancos privados esperam
uma solução do governo. E agora José? A crise ao que parece é só a ponta do
iceberg.
1.1- Fato corriqueiro: No acre, mais uma ponte que cai.

Pontes são obras sobre rios que assim como ribanceiras,
motos, idosos e crianças que ainda não sabem andar, um dia caem. A ponte
construída no Acre entregue em janeiro de 2024 – só dois anos! – deveria ficar
de pé para ser usada por muito tempo. Reclamações sobre a fragilidade, porém
ocorriam antes da entrega. Pontes tem essa mania de cair por qualquer
coisiquinha de nada e por isso o construtor tem que dar garantia de cinco anos.
O certo é que a ponte pah! E depois do susto e feridos, o governo tomou
providencias primeiro lamentando e depois explicando que a causa foi a queda da
ribanceira – lembra que falei da ribanceira? – e que vai adotar as “medidas
judiciais”. A obra foi feita na
modalidade integrada com projetos e execução sob responsabilidade da empresa
que deve reparar os danos sofridos sem custo ao erário. Nada sobre lucros
cessantes, outras penas e compensações. O povo do Acre vai esperar o resultado
que deve ser o de sempre: pagar por nova ponte. O povo tem essa mania de
assumir prejuízos do estado enquanto políticos embolsam lucros decorrentes das intercorrências
na obra como uso de material de segunda, alteração do projeto e aditivos até a
natural e esperada queda da ponte.
1.5-Censura escancarada por quem devia
combatê-la

Depois do estrago feiro contra o pré-candidato
Flávio Bolsonaro, o penduricalho do sistema jurídico nacional chamado TSE,
passou a navalha na Atlas Intel e mandou a pesquisa marota do áudio em que Flávio
pede ajuda a Vorcaro para o filme sobre a vida do seu pai Jair Bolsonaro. Linha
de tempo: em 13 de maio o IntercePT vazou o áudio e no dia 19 Atlas Intel
divulga a pesquisa feita em cima do áudio. Ao fim e ao cabo quase um mês se
passou com a “tragicomédia” rolando nas redes sociais e agora o ministro Nunes
Marques de uma canetada manda dar “um delete” geral, o convenhamos é censura e
até onde se sabe, ninguém pensou em auditar o áudio ou tentar descobrir como um
áudio que estava nos celulares do Vorcaro em poder da PF caiu “sem querer” nas
mãos de alguém do IntercePT, o mesmo site que fez o trabalho do Moro e Dalangnol “substrato de
cocô jurídico”. E aqui surge um novo trem de ferro desembestado e carregado de
brita. A decisão do Nunes Marques passará pelo crivo do STF. Será que teremos a
legalidade surgindo e a decisão do Nunes Marques derrubada? Será ruim para ele,
para o STF, para o Flávio, porém excelente para a ordem jurídica
constitucional. Se vão desentupir o esgoto abram-se as passagens obstruídas e
vamos expor tudo. O cheiro não é bom, mas no final resolve. Contra todo tipo de
censura, a lei, a luz do sol e a liberdade de expressão. E ai? Vão investigar o
IntercePT? Pelo pouco que se sabe vale a pena investigar.
1.6-Fim de papo

O Brasil que já mandou um avião ao Peru buscar aquela
moça que iria em cana por corrupção, poderia mandar nossos auditores e
especialistas eleitorais ou até as nossas urnas para saber quem vai mandar no
Peru agora. O Peru está quase todo à vista, mas faltam a cabeça e o pescoço.
Bicho enroscado é o tal do Peru.
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