Terça-feira, 9 de junho de 2026 - 08h05

Nas voltas que a vida dá, sempre meus amigos eram
bem mais velhos que eu, posto que, por exemplo, com 18 anos, meus companheiros
tinham, 30, 40 e 50 anos, bem mais experientes que eu.
Alguém
definiu o amigo como se tratasse do irmão escolhido, selecionado em cima das
afinidades, daí a troca de desabafos e confidências. Ele é a presença constante
(ainda que um esteja a 4.000 km de distância) e confiável na vida do outro.
Demonstrando
que esse fraterno estará presente nos instantes ruins e ótimos! Busca-se no
amigo a reciprocidade no compartilhamento de ideias, experiências, músicas,
literaturas e vivências, sempre com lealdade e abertura, pois, além de irmão
ele vira cúmplice do bem...
Mesmo
na mais tenra idade, costumeiramente sempre me aproximava de gente de perfil
moral elevado, afastando-me daqueles que poderiam tentar inocular-me com
exemplos nada edificantes. Era como se fosse uma espécie de auto defesa contra
espíritos nada republicanos, para manter a conversa num nível mais elevado. E
fugia desses, como o diabo foge da Cruz.
Ocorre
que, paralelamente às perdas de companheiros que partiam para o Oriente Eterno,
fossem os da minha geração, fossem aqueles “menos crianças” (diriam os antigos
cuiabanos), eu ia empobrecendo nos meus ativos sentimentais e espirituais.
E de
repente me descobri descapitalizado emocionalmente diante das mortes que eu ia
lamentando, ao tempo em que me entristecia!
Lembro-me
da partida precoce do Clayton Guimarães Cova, do Homero Kang Tourinho, João de
Deus, Jacy de Alencar Farias (o dr Polegar), Nelson Madeira Casara, Almério
Madeira, José Nilson Guimarães, Ana Benita Perez Pontes, José Caboquena Maia,
Paulo Cruz Rodrigues, Issao Kawataki, Nicandro Fontoura, Josefina da Cruz
Coelho, Arlene Ferreira, João Miguel de Araújo Lima, Anizinho Gorayeb, Cândido
Sabino de Lima, o Candoca, Maria Teresa Merino Chamma e outros... Todos esses
integrantes da minha meninice e da minha juventude.
Enquanto
eu chorava as perdas daqueles da minha geração, na imediatamente anterior, eu
pranteava a partida de um Wilson Nunes Brayner, Francisco das Chagas
Cavalcante, Armando Borges, Gentil Medeiros de Almeida, Felipe Assad Azzi,
Odenil Jacinto de Oliveira, Eliezer Rebelo, Estácio Lopes Gusmão, Militão da
Silva Rufino, Joazir Bucair, Aquilino Arruda, Walmen Hoffmann de Souza, Orion
Barreto da Rocha Klautau, João Bosco de Araújo Pinto, Simão Salim, Luziano
Borges Muniz, Moacir do Couto, João
Bosco de Araujo Costa, Antônio Paula da Costa Bilego, Ladislau Cristino Cortes,
Euro Tourinho, Adhemar da Costa Salles, Dom Geraldo Verdier, Cesar Romero
Cavalcante de Albuquerque, Izabel Assunção, amigos que eu transformei em irmãos nesta e
noutras terras aonde vivi.
Um
dia sumiram dos meus olhos a mãe, o pai, avós, tios, tias tão amadas, até que
perdi de vista meu segundo filho, sepultado na cidade de Cuiabá... Todavia,
guardo-os como num sacrário: dentro do meu coração...
Afinal,
a desaparecimento, o passamento de alguém de quem nos tornamos “amigo de fé, um
irmão, camarada” – diriam Roberto e o Erasmo — machuca de forma intensa e “tão
doída”, porque se trata de um rompimento de laços profundos e intensos, pela
perda no plano físico de um afeto que nos unia e nos aperfeiçoava, num rumo
indecifrável e indefinível chamado “Não nos veremos mais”, pelo menos aqui
neste planeta secundário.
Na verdade, o falecimento de um amigo tão querido é como se fosse uma
unilateral ruptura, pois deixamos de merecer aquele vínculo, aquela
cumplicidade que só encontramos no núcleo familiar. Ficamos enlutados tal qual
experimentamos como vazio pelo luto de um parente.
Quando
alguém do nosso convívio é chamado para o andar de cima, passamos a questionar:
–Quando será a nossa vez?
Assim
impactados psicologicamente pela violenta emoção vivenciada, perdemos o chão e
vertemos todas as lágrimas possíveis no estuário dos nossos rostos ou as
derramamos, repito, dentro de uma espécie de relicário quase sagrado, que é o
nosso coração.
Todavia,
neste terço da minha vida, já vejo, num misto de alegria e tristeza, que meus
amigos são quase todos mais novos do que eu...
Terça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES - Jorge Teixeira, um Nome, Uma Lenda, Uma Legenda
Hoje, dia primeiro de junho, qual Sinuhe, personagem de Mika Waltari, autor de “O Egípcio”, escrevo daqui, quase do barranco do rio Mamoré,

Estive presente na celebração dos 100 anos da Igrejinha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. E me comovi por diversas vezes na Santa Missa co

O escritor Paulo Cordeiro Saldanha lança em Porto Velho o livro “Entre Brancos e Originários – A Ferrovia de Deus”. O evento será realizado na próxi

Crônicas Guajaramirenses - Desrespeito ao Calendário Cultural de Guajará Mirim
Nós, os Guajaramirenses deste tempo, temos muito a agradecer ao Governador Marcos Rocha e sua briosa equipe! Inclusive por merecermos a atuação prof
Terça-feira, 9 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)