Porto Velho (RO) quinta-feira, 29 de outubro de 2020
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Viviane Paes

História & Estórias do Dia da Internacional da Mulher - A Advogada apaixonada por causas humanitárias


Maria José de Oliveira Urizzi e os netos - Gente de Opinião
Maria José de Oliveira Urizzi e os netos

1912: Em 6 de maio, ocorreria a Passeata pelo Sufrágio feminino, nos Estados Unidos. Uma tática ousada, adotada por sufragistas e demais militantes como forma de divulgar as suas causas e combater a ideia de que as mulheres deveriam ser relegadas ao lar. Esse movimento uniu mulheres de diferentes origens sociais e econômicas.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo - aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.


A Advogada apaixonada por causas humanitárias  

Maria José de Oliveira Urizzi é desses seres humanos, cuja história de vida viraria um filme em Hollywood. Essa advogada que atua há 35 anos em causas de cunho humanitário - na maioria das vezes contra atos atentatórios aos direitos de suspeitos e de presos como ocorreu no Regime Militar, é também uma viúva, cujo marido foi assassinado.

Essa senhora de olhos brilhantes irradia aquela força vinda dos que conseguem sobreviver e conquistar a paz após as adversidades. Maria José Urizzi nasceu em Crato, no Ceará, aos seis anos foi morar em Ibiporã, no Paraná, passou parte da adolescência em Londrina e em 1969, já casada morou em Umuarama, no então distrito denominado de Nova Jerusalém, localidade fundada pelo sogro.

Quatro anos depois, em junho de 1973, seu jovem esposo Acir Urizzi seria assinado por aquele que viria a tirar outra vida, uma que não passaria impune e escondida do mundo, a do ambientalista Chico Mendes, em Xapuri, no Acre.

A jovem professora primária, com sua única filha, buscou forças nos estudos para prosseguir e lutar contra as saudades do esposo: cursou Ciências e Matemática. Quando estava concluindo os dois cursos foi criada a Faculdade de Direito de Umuarama. Prestou o vestibular e fez parte da primeira turma de Direito, que se formaria em 1986. Sobre esse momento ela compartilha: “Sempre fui muito sensível em relação aos problemas relacionados com justiça. Sempre li muitas obras sobre os problemas da humanidade, notadamente os injustiçados e isso foi calando em mim o desejo de fazer em favor dos mesmos. O autoritarismo, o descaso, as torturas, reinante da época da ditadura em nosso País, me revoltavam. Entendi que como advogada poderia – mesmo com receio, fazer alguma coisa em prol dos menos favorecidos”, afirma emocionada.

No final da década de 80 mudou-se para novo município de Pimenta Bueno reiniciando uma nova etapa de sua vida. Aprovada em um concurso público pela Secretaria Estadual de Educação - Seduc lecionou Ciências e Matemática enquanto consolidava a carreira de advogada.

A década seguinte lhe daria lembranças de sua dolorosa perda, ao mesmo tempo em que o destino contribuiria para que a justiça fosse cumprida. Em 15 de dezembro de 1990 chegava ao fim o julgamento dos acusados pela morte do ambientalista Chico Mendes. A advogada Maria José Urizzi participou do processo a convite do promotor do caso e teve a oportunidade de conhecer o renomado criminalista, Márcio Thomaz Bastos que recomendou que seu nome fosse destacado nos autos e se tornaria um amigo!

Com a localização do assassino de Acir Urizzi e sua condenação em Xapuri, o mesmo foi levado a júri no Paraná, sendo também condenado por essa morte, 20 anos depois do crime.

E sua luta não parou até hoje! No dia 20 de abril, Maria José Urizzi completa 80 anos. Uma vida dedicada à família e a luta por desfavorecidos. Do casamento teve a filha Patrícia, que infelizmente faleceu em 2018, deixando-lhe quatros netos: Emanuelle, advogada; Sara, veterinária; Débora, Administradora e Cícero Henrique, bacharel em Direito, tentando o exame da OAB. Hoje ela curte a bisneta Mayra, que completará dois anos em abril, razão atual de seu viver.

Da advocacia, sua paixão até hoje, ela comenta a luta constante na Comissão de Direitos Humanos. “Mesmo com algum temor abracei a luta em favor dos desprotegidos. Felizmente sempre tive o total apoio do Conselho Federal da OAB, através da Seccional Rondônia, dos seus presidentes, ao longo dos anos e das comissões. Tive também o apoio de alguns promotores de justiça da Comarca de Pimenta Bueno, que tenho respeito e admiração”, afirma advogada.

Maria José Oliveira Urizzi, uma mulher apaixonada e defensora dos direitos humanos!

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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