Porto Velho (RO) quinta-feira, 28 de outubro de 2021
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Óleo de Copaíba, riqueza da Amazônia e do Brasil


Óleo de Copaíba, riqueza da Amazônia e do Brasil - Gente de Opinião

Em toda a Floresta Amazônica, com maior frequência no Pará, Amazonas, Rondônia e Acre, existe uma majestosa planta que pode chegar a 30 metros de altIra e que possui um dos mais poderosos óleos medicinais do Planeta: trata-se da copaíba, pertencente à família das Leguminosae, gênero Copaífera.

A origem do nome parece ter vindo do Tupi “Cupa-Yba” (árvore de depósito).

O óleo de copaíba foi citado pela primeira vezes em 1534, quando fora publicada em Estrasburgo (França) uma carta enviada por Petraus Martins ao Papa Leão X, em que narrava que “os nativos brasileiros usavam um óleo de forte odor para a cura de ferimentos e outras doenças e que a chamavam de “kope’i”.

Em 1560, o padre jesuíta José Acosta, em uma de suas publicações, registra que

os nativos usavam um óleo que tinha um grande poder de cicatrização e cura. Junto com a mensagem, mandou uma amostra do óleo vegetal. Porém, afora a medicina local, a ciência da época não acreditou nas propriedades milagrosas da planta e o fato é que o óleo da copaíba permaneceu hibernando ao largo da ciência por mais alguns séculos.

Na década de 1960, pesquisadores tiveram um contato mais próximo com o óleo vegetal e depois de vários estudos, pesquisas e depoimentos de nativos, descobriram que o óleo de copaíba é composto por cerca de 80% de ácido diterpênico, e o restante por outros ácidos que ajudam na cicatrização de ferimentos. Tem propriedades antimicrobianas, antiinflamatórias e anti-neoplásicas e já está sendo usado na odontologia (composição de cimentos endodônticos  e na prevenção e combate de doença periodental).

A performance industrial da copaíba tem sido desde então surpreendente: em recentes pesquisas, a ciência aplicada à indústria de perfumarias e cosméticos descobriu que o óleo da copaíba é um excelente fixador de odores e já está na composição de inúmeros e caros perfumes, como também, devido às suas propriedades emolientes, bactericidas e anti-inflamatórias, na fabricação cremes, sabonetes, xampus e amaciantes de cabelos, anti-acne e ceras depilatórias.

E não para por aí: já foi incorporada à produção de diversos tipos de tintas, vernizes, solventes e tinturas para porcelana. É aditivo na confecção de borracha e inúmeros outros produtos sintéticos.

Embora seja presente em quase todo o Brasil, além da Bolívia, Peru e parte da Argentina, a copaíba ocorre com maior frequência na Floresta Amazônica, de onde é exportada para laboratórios farmacêuticos e de cosméticos dos Estados Unidos, França, Alemanha e Inglaterra.

Melhor seria, evidentemente, que a indústria nacional de mãos dadas com a pesquisa científica, transformasse o óleo de copaíba extraído da Amazônia em artigos de consumo, exportando para todo o resto do Brasil e para o exterior o produto final com alto valor agregado, melhorando a renda e a qualidade da vida da população.

Ainda assim, é melhor do que desmatar mais florestas na busca por espaços rurais para as necessidades de todos quantos pretendem explorar a pecuária e a sojicultura, ou mesmo a mineração, uma vez que a exportação de produtos nativos com alto valor permite manter a floresta em pé e a economia circular que sustenta as populações tradicionais, evitando transformar todo o solo da Amazônia em commodities, o que causará uso excessivo de água e alto desgaste da imagem do Brasil no exterior.

A copaíba é apenas uma de tantas riquezas naturais da floresta amazônica que são subvalorizadas por parte do setor do agronegócio e da mineração, que sem dúvida alguma, têm grande importância na economia do país, especialmente no que tange às exportações, mas por receberem fortes apoiamentos políticos e da sociedade, podem conduzir, mesmo não desejando isso, o nível de desmatamento da região ao chamado pinto de não retorno.

O óleo da copaíba, como outros produtos da floresta de alto valor de exportação, é um ingrediente importante na manutenção da cultura dos povos da Amazônia e no desenvolvimento da economia circular na região.

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