Porto Velho (RO) segunda-feira, 1 de junho de 2020
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Viriato Moura

Posse na academia: advertir é preciso


Posse na academia: advertir é preciso - Gente de Opinião

A Academia Rondoniense de Letras, Ciências e Artes (ARL) empossará na noite deste sábado 14, no Teatro Guaporé, 17 novos membros.

A confraria foi fundada em 17 de agosto de 2015, a partir de iniciativa do professor William Haverly Martins. Foi dele a ideia e a concretização do projeto de instalação dessa entidade que pretende estimular a produção e  difusão de conhecimentos científicos e artes em geral.

William, atual presidente da ARL, não merece ser considerado apenas pelo que já fez por essa confraria. Conheço-o de longa data e posso lhes assegurar que não é um ser humano qualquer, dada as suas múltiplas virtudes. Professor e escritor talentoso, militante aguerrido e incansável em favor de causas procedentes e legítimas, e cidadão de caráter ilibado. Como sempre acontece com esse tipo de pessoa, na maioria das vezes caminha solitária e incompreendida pela espinhosa e acidentada vereda da existência.

Baiano de nascimento, nutre inabalável compromisso com Rondônia e suas melhores causas. Tenho convicção dessa assertiva porque estive com ele, ombro a ombro, mentes e emoções unidos pelos lídimos propósitos nativistas, porém sem sectarismo. Por isso e muito mais, se alguém merece reconhecimento público como um benfeitor neste estado, William Haverly Martins é uma dessas pessoas.

Volto à posse dos novos confrades. Todos são dignos, pelo que já fizeram e continuam fazendo, no que tange às aptidões de cada um,  no âmbito das letras, ciências e artes, de ter assento em cadeiras da nossa Academia.

Dirijo-me, agora, a esses novos confrades.

Faço-lhes, de início, enfática advertência: o título que receberão só terá significado se vossas presenças na Academia agregarem seus melhores valores morais e intelectuais em favor do coletivo. Do contrário, será apenas uma referência pífia em seus currículos, que mais servirá para envergonhá-los.

Portanto, não se deixem levar pela rasteira vaidade da ostentação, própria dos tolos. Não aceitem o pomposo título de membros da Academia Rondoniense de Letras, Ciências e Artes se não se sentirem capazes  de cumprir os ideais para os quais a instituição foi criada.  Lamentavelmente, a farsa é a erva daninha mais fértil no jardim da vida; combatê-la é o dever de todos. Ao aceitarmos um título acadêmico, mais que qualquer outra  pessoa, precisamos assumir o compromisso de ser diligentes jardineiros que ceifam essas ervas para que floresçam as que merecem.

Sobre a tal imortalidade, digo-lhes pedido licença dada sua obviedade: ninguém e nenhuma instituição é capaz de dá-la, ainda que no contexto metafórico como é o caso, a quem quer que seja. A sua vida somente ficará cunhada na saudosa memória do mundo se o merecer. Seu mérito será construído em bases sólidas se produzir e disseminar conhecimentos sob a égide construtiva da ética e da legalidade. Será da capacidade transformadora de suas investidas nesse mister que alçará ao panteão dos humanos ditos imortais.   

Impõe-se, nesta ocasião, que lhes diga também que, se quiserem chegar a tão elevada condição, afastem-se  dos pessimistas quanto aos rumos do mundo, aqueles que pregam o ceticismo em relação às instituições contemporâneas e à incapacidade de conceber um propósito superior fora do âmbito da religião, como enfatiza Steven Pinker em seu livro O Novo Iluminismo, em defesa da razão, da ciência e do humanismo. Ideais esses atemporais, que conduzem ao desejado progresso sustentável e humanizado em seu aspecto mais amplo. Esse é o caminho a seguir. E por ele precisamos caminhar juntos, praticando o melhor que temos a oferecer.

Saibam também, novos e bem-vindos confrades, que nossa Academia os recebe com a festejada esperança de que virão nos ajudar a fazê-la o que merece ser. Que ela ultrapasse os muros que limitam o ímpeto daqueles que querem transpô-los para plasmar sua existência sob forma das melhores ações transformadoras. Essa, certamente, não é missão para fracos e incompetentes; é, sim, missão heroica. Preparem-se, portanto, para enfrentar, com altivez, os revezes impostos pela ignorância e pela insensibilidade das nulidades, essas sempre em maior número e capacidade agregadora de parvos submissos. É esse tipo de gentalha que tentará cortar sua garganta com afiadas lâminas, sempre disponíveis, para calar os mensageiros da razão e das virtudes.

Diante disso, se você, confrade, sentir-se capaz para empreender tão nobre e edificante empreitada, pode chegar e entrar, e nem precisa pedir licença. Do contrário, seria mais sensato de sua parte e mais cômodo para todos os demais confrades, que desista, jogue a toalha, antes mesmo de a luta começar. Pelo menos, terá uma atitude digna e coerente.

 

 

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