Porto Velho (RO) sábado, 24 de outubro de 2020
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IRINEU DE PALMIRA – UM DOS ESPETÁCULOS QUE MARCARAM O FIM DE SEMANA EM PORTO VELHO


IRINEU DE PALMIRA – UM DOS ESPETÁCULOS QUE MARCARAM O FIM DE SEMANA EM PORTO VELHO - Gente de OpiniãoMais informações: http://irineudepalmira.com.br/

O SESC Amazônia das Artes trouxe para deleite dos expectadores Irineu de Palmira na edição de sábado à noite EM Porto Velho – um compositor que transita pelas diversas nuances da cultura brasileira, pois vai do samba ao afoxé passando pelo reggae até as mais belas cirandas e cantigas. Um ser humano indescritível. Percebe-se que a excelência de sua voz melódica vem da instrução e prática regular o que requer tempo e dedicação total à música,algo que faz  há anos,pois  já dividiu o palco com grandes nomes ,tais como Cauby Peixoto,Wilson Simonal,Pery Ribeiro, entre outros.Como instrumentista gravou os violões de todas as faixas do disco Viola e Canções de Pena Branca e Xavantinho e,como compositor tem músicas gravadas por Jair Rodrigues e Luciana Melo (Alma Negra),Biro do cavaco e Katinguelê .Já fez várias turnês pela Europa,EUA e Ásia. 

Dedica-se à música integralmente acompanhado de 04 grandes músicos – jovens de um talento fora de série - Frederico Garibalde Mateus (guitarra), Pedrinho Sousa (Bateria), Leomar Martins (baixo) e Joseh Albertto (teclado) - no show “Traduções” que vem fazendo o circuito pelas regiões do país via SESC Amazônia das Artes. Uma reflexão sobre a obra de Irineu de Palmira mostra como o fenômeno da mediação e da identificação cultural exerce papel central no processo de criação de suas canções.Traz um conceito representativo do paradigma clássico da cultura negra e da comunicação com esta. Sabe-se que, conforme diz Martha Abreu (UFF) “A cultura não tem cor, mas é importante discutir quem produz e também o contexto em que ela é feita”, pois sua influência gera resultados inusitados que culminam em letras de forte conteúdo muitas vezes emblemáticos, mas que são vivos, com ideias ecléticas que levam à busca de respostas. Em suas letras alem do cunho social há uma consciência cultural, um processo de africanidade ligado à estética, à musicalidade, à religiosidade, à vivência da negritude destacando elementos relevantes da sua história e de sua ancestralidade.

Irineu de Palmira trouxe o show “Traduções” de Tocantins, porém esse mapa na música é puramente convencional, não se pode confundir com o território, dominação simbólica em que as pessoas se comportam segundo as exigências sem que disso se tenham consciência, pois o local é uma representação abstrata do território e, aí vem a pergunta: Por que o próprio segmento artístico de nossa região não prestigia esses eventos? Pessoalmente posso dizer que tento de todas as formas levar esse conhecimento cultural para dentro das escolas em que trabalho,mas me pergunto o porquê da própria classe artística não prestigiar valores e talentos como Irineu de Palmira quando se apresentam em nossa cidade,pois o que se vê é uma plateia mínima onde poucas pessoas prestigiam ,pois se brigamos para que nossos valores sejam reconhecidos porque não valorizarmos quem aqui se apresenta?Como fazer que meu próprio aluno seja plateia se quando ele comparece percebe que a falta de valorização não é somente deles como elementos participantes de uma sociedade ? Supõe-se que a cultura orienta o comportamento dos indivíduos em sua vida social, mas é estranho perceber que o próprio segmento pelo qual se briga tanto não dá tanta importância quando se trata de shows de outras regiões. Compositores são de fundamental importância na criação musical e,sabemos que muitas vezes os mesmos  não têm reconhecimento, pois geralmente nas músicas que amamos são divulgados apenas o nome dos intérpretes e essa mudança deveria acontecer dentro do próprio meio ,para que os mesmos sejam mais reconhecidos. Fala-se muita em valorização cultural, mas são exatamente nesses momentos que devemos mostrar que não brigamos apenas na teoria, pois conhecer, prestigiar talentos como estes são fundamentais se quisermos crescer como sociedade participativa. Acreditamos que há espaços para todos e,por isso não há porquê não valorizarmos. O Musical da Cássia Eller foi outro evento que marcou o fim de semana na cidade, um espetáculo sensacional. O que realmente falta em nossa cidade é a valorização do que é bom, é a valorização do ser compositor,do ser músico,do ser artista plástico independente da origem...Porto Velho tem Cultura,tem momentos que transcendem o imutável,mas que necessitam do seu “eu” pessoa,”eu” participante, “eu” sociedade...

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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