Porto Velho (RO) domingo, 18 de abril de 2021
×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Dentro do ônibus, no embalo da ‘sofrência’


Dentro do ônibus, no embalo da ‘sofrência’ - Gente de Opinião

O amanhecer em Porto Velho é esplêndido, exibindo suas nuances a sonolentos, ou mesmo, a pessoas que dormiram bem.

São 7h11. Cá estou novamente dentro do ônibus da linha Guajará, no qual embarco na Rua Andreia, no Aponiã.

Dentro dele, o som estridente traduz o sentimento do motorista, possível DJ de todas as ‘sofrências’. É nesse embalo que percorro quase a metade da Avenida Calama, rumo ao trabalho.

Na manhã de hoje (7), o cardápio musical do motora estava requintado nesse aspecto. “Eu falando mal de você /Que você nunca soube fazer /Cem mil com quem quiser eu aposto /Se ela bater o dedo eu volto /Ela não vale um real, mas eu adoro”, ouviam todos, em pé, acotovelados, ou sentados – estudantes, servidores públicos, trabalhadores em geral, homens, mulheres, crianças e idosos.

Começar o dia desse jeito traz uma energia que deve ser desembarcada da mente, antes do cruzamento da Calama com a Avenida Presidente Dutra, zona do TRT, Sesc e, agora, da mais nova habitante do pedaço, a Escola de Contas do TCE.

Segue o menu musical do motora, desta vez, com outros refrões: “A dose que mudou a minha vida” e “para aproveitar mais a semana”. No que deduzi, lembrando-me dos tempos em que mergulhava na manguaça: que aproveitamento é esse?

A apologia ao consumo alcoólico e o desmerecimento à mulher rodaram a avenida sobre quatro rodas. Ao descer, aquele som inalterado entraria pelos ouvidos dos pacientes passageiros, quisessem ou não.

Entre 1976 e 1979, a parada de sucessos dos DJs das boates Copacabana, Paissandu e Riomar, no Bairro do Roque, caprichava. Ali, a ‘sofrência’ era light perto das desesperantes composições de hoje em dia.

Poupai-me, Senhor, amanhã, no mesmo horário, entrarei naquele ônibus do SIM. Aliás, será que essa empresa ainda existe?

Apesar de tudo, compreendo o desabafo do motora. Talvez ele esteja de verdade compartilhando o seu “eu” machucado pela mulher da canção. Motora é um ser humano igualzinho aos outros.

Até que hoje ele não deu toda potência ao seu equipamento de som, o que não acontece com um exagerado colega de volante, candidato ao decibelímetro da Polícia Ambiental. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Montezuma Cruz

Álvaro Dias sugere curso para tomadores de empréstimos aprenderem mais sobre conservação ambiental

Álvaro Dias sugere curso para tomadores de empréstimos aprenderem mais sobre conservação ambiental

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) propôs esta semana ao Plenário a alteração da Lei nº 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do

Marcha para Jesus agora é Patrimônio Imaterial de Rondônia

Marcha para Jesus agora é Patrimônio Imaterial de Rondônia

A Marcha para Jesus, evento que reúne milhões de pessoas no mundo e, pelo menos, 103 mil pessoas em Porto Velho, é agora Patrimônio Cultural e I

Guajará-Mirim é top na culinária e na solidariedade com sua vizinha, no Beni

Guajará-Mirim é top na culinária e na solidariedade com sua vizinha, no Beni

O incêndio é do lado de lá, quem socorre são os bombeiros brasileiros de cá. Safras agrícolas de Guayaramerín (Beni) para exportação entram pelo rio

Professor de Física publica artigo científico sobre o quarto estado da matéria, o plasma

Professor de Física publica artigo científico sobre o quarto estado da matéria, o plasma

Professores de Física em Porto Velho Professor publicaram na revista The Brazilian Journal of Development o artigo científico intitulado "Construção d