Porto Velho (RO) segunda-feira, 30 de novembro de 2020
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Gente de Opinião

Dom Moacyr

Dia da Sagrada Família! Dia Mundial da Paz!



     Antecede a Solenidade da Santa Mãe de Deus (dia 1º), a Festa da Sagrada Família, que nos faz refletir na nossa família como protagonista da salvação, e proclamar com papa Francisco:

     Dou graças a Deus porque muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor, realizam a sua vocação e continuam para diante embora caiam muitas vezes ao longo do caminho (AL 57).

Na festa da Sagrada Família, contemplamos Jesus, Maria e José e situamos a Encarnação de Jesus no quadro da família, célula básica da sociedade humana.

Hoje adoramos o mistério de um Deus que quis nascer de uma mulher, a Virgem Santa, e entrar neste mundo pelo caminho comum a todos os homens.

A experiência da família de Jesus é posta como paradigma para toda vida familiar (Konings). A Sagrada Família enfrentou as mesmas dificuldades das nossas famílias: sofreu violência e perseguição; lutou contra o preconceito e a falta de oportunidades; vivenciou dificul­dades no relacionamento. Porém não se intimidou diante dos desafios. Sustentada pela fé prosseguiu o seu caminho de santidade cumprindo a vontade do Pai.

Assim como a Família de Nazaré, que disse sim ao plano de salvação de Deus, também nós, em família, devemos dizer o nosso sim e nos abrirmos ao mundo como testemunhas da salvação que a todos contempla. A família tem papel importante na evangelização, por isso não pode se individualizar, ao contrário, precisa criar laços fortes de amor e compromisso, junto à comunidade de fé. Quando extrapola o seu próprio núcleo, a família cresce e pode demonstrar o seu amor e cuidado para com os que estão dispersos da grande família do Reino de Deus.

A recente Exortação Apostólica Amoris laetitia sobre o amor na família, ao tratar da vocação familiar no capitulo 3,  reforça a missão evangelizadora de nossas famílias:

Diante das famílias e no meio delas, deve ressoar sempre de novo o primeiro anúncio, que é o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário e deve ocupar o centro da atividade evangelizadora. É o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra. Porque nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio(AL 58).

     O Livro da Sabedoria de Jesus Ben Sirac (Eclesiástico), refer­indo-se ao 4º mandamento do Decálogo, lembra aos filhos o respeito e o cuidado que devem devotar aos seus pais; menciona aspectos importantes para a boa convivência da comunidade familiar: honrar, respeitar e obedecer para se alcançar o perdão, sentir alegria e ter consolo e amparo. Embora a conceituação desses valores e a sua aplicabilidade tenham sofrido transformações, eles preva­lecem como o alicerce do relacionamento familiar; por essa razão, os ensinamentos do texto permanecem atuais, sobretudo, o cuidado que os filhos devem ter para com os seus pais idosos (Eclo 3,2-6.12-14).

O evangelho de Mateus nos leva a valorizar a família, narrando a migração da família de Nazaré (Mt 2,13-15.19-23). Jesus se identifica com o antigo povo migrante, que volta da terra do Egito, para a terra que Deus lhe quer dar. Jesus se identifica também com as famílias migrantes de hoje, oprimidas, expulsas, acampadas, faveladas, quase sem condições de vida familiar, em consequência da cobiça dos que querem tudo para si (Konings).

     José, o patriarca da família, conforme costume da cultura judaica, é o porta-voz do anúncio do querer de Deus para o seu povo. A grandeza desse texto modela a história da Sagrada Família de Nazaré, em cujo seio nasce o Messias. A partir dessa Família, a grande família cristã também se modela. Portanto, faz todo sentido tomá-la como modelo para as nossas vidas, pois ela carrega em si o lugar simbólico da nossa fé. Deus ama as famílias em sua própria realidade e sobre cada uma delas derrama suas bênçãos.

     Paulo Apostolo, escreve aos Colossenses, apontando um conjunto de

conselhos para a vida em família (Cl 3,12-21). Na caminhada de fé, vivendo o sacramento do matrimônio, os casais se com­prometem com o Reino e a dedicar o seu amor à família, educando os filhos na fé e na vivência do evangelho. Assim, o plano pessoal familiar é iluminado pelo plano de Deus.

Daqui de Santa Catarina, envio uma benção especial às famílias de Porto Velho e de toda a Amazônia, tenham um novo ano abençoado; vocês, comunidades familiares, são as “igrejas domé­sticas” que experimentam o verdadeiro amor, sempre apoiadas no amor de Deus. Continuem orando por mim.

Celebramos no 1º dia do ano a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, acontecimento que nos aproxima do mistério do Filho de Deus. Deus, que outrora falou ao povo pelos profetas, falou-nos, nestes últimos tempos, por meio do seu Filho. Essa realidade só foi possível pela disponibilidade e abertura à graça que Maria teve. A oração do dia nos recorda precisamente isto: “ela nos trouxe o autor da vida”.

No dia 1º de Janeiro celebra-se também o Dia Mundial da Paz e, na Mensagem deste ano, que comentamos semana passada, Papa Francisco faz um convite à não-violência:

“A construção da paz por meio da não violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação em todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um manual desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha”.

Neste Ano Jubilar mariano, professamos hoje Maria como a Mãe de Deus. Ela é a Mãe do Filho de Deus, que se tornou um com a humanidade.

O Evangelista Lucas narra o nascimento de Jesus como motivo de louvação e glorificação a Deus, pois ele manifestou definitivamente a sua misericórdia. O nome que o recém-nascido recebe é sinal disso: Jesus significa “Deus salva” (Lc 2,16-21).

A leitura do Livro dos Números fala da celebração da aliança entre Deus e o seu Povo, da forma como Deus nos abençoa e como devemos abençoar (Num 6,22-27). A benção é um dom de Deus Jesus é a bênção de Deus para a humani­dade: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!”

Paulo Apóstolo escreve aos Gálatas ressaltando a maternidade e o rito judaico: “Nascido de mulher, nascido sob a Lei” (Gl 4,4-7). Mediante a figura de Maria é celebrada a inserção de Jesus na humanidade, especificamente, na comunidade judaica.

Que a fé nos faça sentir como filhos amados e livres de Deus e a viver em comunhão e unidos pelos laços fraternos com os filhos de Deus próximos de nós.

Hoje constatamos o quanto o nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria. A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão (papa Francisco).

Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria.

A Ela queremos confiar o povo brasileiro, sobretudo, a nossa vida e o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça, de paz e de Deus.

Queremos invoca-la todos juntos, imitando nossos irmãos de Éfeso: Mãe de Deus! Mãe de Deus! Mãe de Deus! Amém!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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