Porto Velho (RO) domingo, 24 de janeiro de 2021
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Aroldo Vasconcelos

Amazônia, um país adormecido dentro do Brasil


Amazônia, um país adormecido dentro do Brasil - Gente de Opinião

Faz tempo que eu estudo essa região fenomenal. Desde 1996 quando fazia parte do corpo de técnicos no sistema FIERO/SESI/SENAI/IEL em Rondônia. Muitas viagens me fizeram conhecer e admirar a economia diferenciada dessa parte enorme do território nacional. A Amazônia é uma terra de extremos.

A Amazônia Legal tem 5 milhões de quilômetros quadrados.

A Amazônia Legal abrange 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios. Representa 67% das florestas tropicais do mundo.

Se fosse um país, a Amazônia Legal seria o 6º maior do mundo em extensão territorial. Um terço das árvores do mundo estão na região, além de 20% das águas doces.

De acordo com o último censo demográfico da região (IBGE 2000), a região tem 20,3 milhões de moradores, sendo 68,9% residentes na área urbana e 31,1% na área rural.

Estimativas de pesquisadores da densidade populacional dão conta que em 2020 possivelmente hajam mais de 28 milhões de residentes.

Seu gigantismo e sua riqueza natural guardam um contraste com sua carência econômica, educacional e social pois a grande maioria de suas comunidades ribeirinhas sofrem com as enormes distâncias para os centros com maior progresso e com os custos elevados de consolidação dessas políticas públicas.

No total somam 771 municípios distribuídos por (09) nove estados da Amazônia Legal, os quais ocupam 5,22 milhões de quilômetros quadrados.

Nessa área cabem os 28 países da União Europeia mais o Egito, ou mais da metade do Canadá, o segundo maior país do mundo.

Um quinto das terras do Cerrado e dois terços da floresta amazônica, a maior floresta tropical contínua do mundo, estão na Amazônia Legal. Também é lá que se encontra boa parte das reservas brasileiras de ferro, estanho, alumínio, níquel, cobre, manganês, nióbio, ouro, gás natural e petróleo.

Apesar dessa riqueza, a Amazônia brasileira ainda não tem unidade entre seus governantes e nem no mundo empresarial e acadêmico; de maneira que há mais de três décadas vários segmentos isolados tentam promover planos e estudos de uma economia dita “verde” e sustentável, mas fracassam na definição prática e na implantação.

Enquanto isso, a máfia verde cresce e inúmeros missionários estrangeiros e pesquisadores de patentes internacionais vistam os rios, lagos naturais, cachoeiras, aldeias indígenas, lavram o solo, realizam pesquisas e promovem a discórdia entre os irmão e moradores das inúmeras comunidades ribeirinhas da nossa floresta.

Um plano simplificado, descompromissado de recursos internacionais e de caráter cívico militar e tecnológico precisa urgentemente ser desenvolvido, sob o manto da nossa soberania e responsabilidade.

Não há mais tempo para discussões infindáveis sobre este ou aquele melhor plano ou melhor teoria ou ideologia.

O Brasil precisa apresentar um plano de desenvolvimento sustentável para o território da Amazônia sob pena de perder seu direito regular e normativo de posse. Até porque está nos conceitos básicos da CF de 1988 os parâmetros a respeito da utilidade social e econômica de suas terras, bem como, é logico, está também as bases para a preservação e a manutenção de áreas de conservação.

Nesse contexto, esse humilde artigo tem a pretensão de colocar um pequeno foco momentâneo nas regiões de fronteira entre os estados do Acre, Amazonas e Rondônia que podem unir seus esforços de capital social, empresarial, político e cientifico para a exploração sustentável de áreas de terras ao longo do trajeto da BR 319 que liga Manaus a Porto velho.

São mais de 900 Km de traçado que precisam definir em breve a construção de ao menos 07 (sete) núcleos organizados de assentamento humano com novas tecnologias de organização para a produção agroflorestal sustentável, gerando um novo e inestimável modo de vida integrado com a floresta.

Esse novo modelo, sem delongas academistas que colocam o real a anos luz do devaneio retórico, podem ser a redenção de mais de 50 mil famílias que hoje se encontram sem perspectivas.

Um programa estruturado e com o devido acompanhamento técnico dos estados da região do sul da Amazônia unidos com o governo federal poderão, no início dessa próxima década, por meio de simplórios investimentos do orçamento federal e da captação de recursos privados no Brasil, dar forma a cidades sustentáveis como sendo distritos rurais federais com a aplicação de tecnologias limpas e sistemas sustentáveis de produção de alimentos.

Certamente que é um desafio grandioso, mas que precisamos pegar como projeto para o desenvolvimento daquela região que clama por novos desafios.

Graça e Paz.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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